5 de Agosto de 2008 / às 13:36 / 9 anos atrás

Resposta do Irã a potências não atende exigências

Por Zahra Hosseinian e Sue Pleming

TEERÃ/WASHINGTON (Reuters) - O Irã não respondeu às exigências feitas por potências mundiais para que paralise a ampliação de seu programa nuclear, afirmou uma autoridade iraniana na terça-feira.

A falta de uma resposta clara pode impedir a realização de negociações plenas a respeito do assunto e levar à aprovação de sanções ainda mais rígidas contra o país islâmico.

O Irã entregou na terça-feira, a Javier Solana, chefe da área de relações exteriores da União Européia (UE), uma carta em resposta a uma oferta feita em junho por seis potências mundiais. Segundo a oferta, esses países abandonariam os esforços para impor mais sanções via Organização das Nações Unidas (ONU) se o governo iraniano deixasse de ampliar seu programa nuclear.

“Nós recebemos a carta”, afirmou uma autoridade da UE à Reuters, em Bruxelas, sem fornecer maiores detalhes.

Um diplomata europeu disse à Reuters que o conteúdo da carta era “risível”, mas não quis aprofundar-se no assunto.

Uma autoridade do Irã, também à Reuters, disse que a carta não respondia à demanda feita pelos países envolvidos nas negociações --EUA, China, Rússia, França, Grã-Bretanha e Alemanha.

“A carta entregue não é uma resposta ao pacote oferecido. A carta não menciona a questão do congelamento-em-troca-de-congelamento”, disse a autoridade iraniana.

A aceitação da proposta vinha sendo descrita como uma precondição para a realização de negociações plenas.

As grandes potências afirmam temer que o Irã esteja usando seu programa nuclear para desenvolver bombas atômicas. Mas o país islâmico, quarto maior produtor de petróleo do mundo, insiste que tenta dominar essa tecnologia com o fim exclusivo de gerar eletricidade.

Importantes autoridades das grandes potências realizarão uma teleconferência na quarta-feira a fim de determinar se tentarão impor mais medidas punitivas contra o governo iraniano, afirmou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

“Se não recebermos uma mensagem clara deles, não teremos outra escolha que adotar medidas adicionais”, disse o porta-voz Gonzalo Gallegos.

Segundo uma autoridade iraniana, a idéia do congelamento tampouco havia sido tratada em uma conversa telefônica mantida na segunda-feira por Solana e pelo principal representante do Irã no processo, Saeed Jalili.

“Durante o telefonema, Jalili manifestou sua prontidão para dar início a negociações formais”, afirmou a autoridade, acrescentando esperar que os dois entrem mais uma vez em contato nos próximos dias.

Em meio aos últimos acontecimentos, uma autoridade da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deve visitar o Irã na quinta-feira. A AIEA, ligada à ONU, não quis divulgar o motivo da visita de Olli Heinonen, o vice-diretor responsável por supervisionar as inspeções do programa nuclear iraniano.

O chefe da Guarda Revolucionária do Irã afirmou na segunda-feira que o país poderia fechar o estreito de Ormuz, uma importante rota de escoamento de mercadorias vindas do golfo Pérsico, caso seja atacado devido a seu programa nuclear.

Os EUA responderam fazendo um alerta. “Fechar o estreito e isolar o golfo Pérsico seria uma manobra sem chances de sucesso”, afirmou Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono.

“Não acho que isso seja do interesse do Irã”, disse. “Eles possuem, neste momento, uma economia muito fraca, que depende quase inteiramente da renda obtida com a venda de petróleo.”

As seis potências disseram que as negociações formais sobre um pacote de incentivos oferecido ao Irã só podem começar quando o governo iraniano suspender o enriquecimento de urânio, a parte do programa que mais preocupa as potências porque pode ser usada tanto para produzir combustível de usinas nucleares quanto material para equipar bombas atômicas.

O Irã já repetiu várias vezes que não suspenderá seus esforços na área. Em resposta, e desde 2006, o Conselho de Segurança da ONU impôs três pacotes de sanções contra o Irã.

Reportagem adicional de Ingrid Melander em Bruxelas, Parisa Hafezi em Londres e David Morgan em Washington

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