28 de Junho de 2008 / às 19:50 / 9 anos atrás

China pede ajuda a países ricos contra mudanças climáticas

Por Lucy Hornby

PEQUIM, 28 de junho (Reuters) - Chamar a atenção para as mudanças climáticas e combatê-las é um interesse da China, mas o país precisa que as nações desenvolvidas façam a sua parte, disse o presidente chinês, Hu Jintao, em um discurso reproduzido pela agência governamental Xinhua no sábado.

Ele conclamou os países desenvolvidos a acelerarem os esforços de redução de emissões e providenciar ajuda técnica e financeira a nações em desenvolvimento.

A China participará no mês que vem do encontro do Grupo dos Oito em Hokkaido, no Japão, que terá as mudanças climáticas no topo da agenda. Os países estão tentando estabelecer novas metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa depois que o protocolo de Kyoto expirar, em 2012.

Apesar de a China ser o maior emissor desses gases, o país tem uma média bem menor do que a de muitos países desenvolvidos se consideradas as emissões por habitante. Negociadores chineses alegam ainda que o país está apenas tirando o atraso após dois séculos de industrialização do Ocidente.

Mas as autoridades do país estão cada vez mais preocupadas com o impacto causado pelo aquecimento global, que pode fazer secar rios que irrigam o árido norte e intensificar as enchentes no sul. A China também sofre com a poluição intensa de suas águas e do ar.

"A maneira como nós enfrentamos as mudanças climáticas está ligada ao desenvolvimento econômico e aos benefícios práticos à população. Está em linha com os interesses básicos do país", disse Hu em uma sessão de estudos sobre mundanças climáticas. O encontro ocorreu na sexta-feira, promovido pelo birô político do comitê central do Partido Comunista chinês.

"Nossa tarefa é árdua, e nosso tempo é limitado. Organizações partidárias e governos em todos os níveis devem priorizar a redução das emissões... e levar a idéia ao fundo do coração do povo."

Hu conclamou organizações e empresas a otimizarem o uso de energia, reciclar recursos, aumentar a cobertura florestal, explorar recursos hídricos cientificamente e aumentar a cooperação internacional.

Ele pediu o aumento da capacidade da China de monitorar, prever e resistir a desastres naturais extremos trazidos pelo tempo anormal.

Durante este verão chinês, as enchentes mataram mais de 200 pessoas em todo o país, depois que um terremoto na província de Sichuan em maio deixou mais de 80 mil mortos ou desaparecidos e milhões de desabrigados. Chuvas pouco comuns podem tornar as enchentes deste verão as piores em décadas, segundo o centro meteorológico de Sichuan afirmou na sexta-feira.

A tempestade tropical Fengshan matou pelo menos 15 pessoas nas províncias de Guangzhou e Jiangxi após chegar do mar na quarta-feira. Em sua passagem pelas Filipinas, a Fengshan matou centenas de pessoas.

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