August 19, 2008 / 6:40 PM / in 9 years

Adversários de Morales realizam greve geral em cinco Províncias

5 Min, DE LEITURA

<p>Advers&aacute;rios de Morales realizam greve geral em cinco Prov&iacute;ncias. Os governadores bolivianos contr&aacute;rios &agrave;s reformas do presidente Evo Morales realizaram uma greve geral em cinco das nove Prov&iacute;ncias do pa&iacute;s, exigindo uma fatia maior da renda obtida com a venda de combust&iacute;veis. 19 de agosto. Photo by David Mercado</p>

Por Eduardo Garcia

SANTA CRUZ, Bolívia (Reuters) - Os governadores bolivianos contrários às reformas do presidente Evo Morales realizaram uma greve geral, nesta terça-feira, em cinco das nove Províncias do país, exigindo uma fatia maior da renda obtida com a venda de combustíveis.

O protesto foi organizado apenas nove dias depois de Morales ter recebido 67 por cento dos votos em um referendo de confirmação de mandato. O pleito, no entanto, também confirmou em seus cargos os principais rivais direitistas dele, aprofundando um embate iniciado há um ano.

Lojas e bancos ficaram fechados na terça-feira e caiu muito o número de veículos em circulação nas ruas de Santa Cruz, capital do coração agrícola da Bolívia. Paralisações de um dia também foram realizadas em Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca. Segundo meios de comunicação bolivianos, houve maior adesão ao movimento nas áreas urbanas.

Os governadores querem que Morales pare de utilizar a renda previamente reservada às Províncias para bancar um sistema nacional de aposentadorias.

O presidente, no entanto, diz que os governos provinciais podem arcar com a ajuda aos programas de combate à pobreza porque seus cofres estão cheios depois de ele ter elevado as taxas cobradas das empresas de energia, em 2006.

"Todos estão observando a greve. Nossas regiões precisam recuperar esses recursos", disse a repórteres, em Santa Cruz, o líder da manifestação, Branko Marinkovic, antes de chamar Morales de "ditador".

Apesar de Marinkovic ter dito que desejava evitar episódios violentos, jovens foram vistos saindo do prédio de escritórios dele com pedaços de pau e tacos de beisebol.

Depois de um encontro recente com os governadores não ter produzido resultados, Morales disse que eles querem "apenas dinheiro". Já os adversários do presidente acusam-no de tentar estrangulá-los financeiramente.

O líder boliviano precisou cancelar alguns dos comícios que realizaria antes do referendo devido à ameaça de haver violência. E, na semana passada, em Santa Cruz, manifestantes contrários ao governo espancaram dois policiais na frente de câmeras de TV.

Primeiro presidente de origem indígena desse empobrecido país, Morales concentra seu apoio entre os índios aimará e quechua que vivem nas terras altas do oeste da Bolívia.

No entanto, os governadores oposicionistas, concentrados nas áreas do leste, mais ricas e onde estão as reservas de gás e as terras mais férteis, rejeitam as políticas dele e temem que sua meta seja transformar a Bolívia em um Estado socialista do tipo cubano.

O presidente faz parte de um grupo de líderes esquerdistas da América Latina que ampliou o controle estatal sobre as reservas naturais. Entre esses líderes conta-se o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Morales nacionalizou o setor energético, elevando as taxas cobradas das empresas estrangeiras, e assumiu o controle sobre as joint ventures das áreas de telecomunicação e mineração. Essas joint ventures eram antes controladas por grandes multinacionais.

A acirrada oposição vinda de governadores e de parlamentares da direita obrigaram-no a paralisar seus planos de redistribuição de renda e de implementação de uma nova Constituição que, segundo diz, ajudaria a combater a discriminação contra a maioria indígena da Bolívia.

Em Santa Cruz, onde a oposição a Morales é mais forte, pichações descreviam o presidente como "fascista", "o Anticristo" e um "fantoche" de Chávez.

Em discursos, o governador de Santa Cruz, Ruben Costas, chamou Morales de criminoso e descreveu os ministros do governo dele como uma "matilha de cães".

No entanto, muitos dos moradores das regiões que entraram em greve dão apoio a Morales. No referendo, ele recebeu 50 por cento dos votos em Pando e Chuquisaca, ao passo que nas outras três Províncias controladas pela oposição -- Santa Cruz, Tarija e Beni --, o presidente ficou com 40 por cento dos votos. Esses votos vieram em grande parte das zonas rurais.

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