EMBRAER prevê biocombustíveis para avião em até 5 anos

quinta-feira, 19 de junho de 2008 17:00 BRT
 

Por Denise Luna

COSTA DE SAUÍPE, Bahia, 19 de junho (Reuters) - Apenas daqui a quatro ou cinco anos o setor de aviação poderá ter uma alternativa renovável e possivelmente mais barata ao querosene, apesar das fabricantes de aeronaves estarem acelerando pesquisas neste sentido.

Na avaliação do vice-presidente executivo de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento Tecnológico da Embraer, Satoshi Yokota, no ano que vem já será possível fazer vôos experimentais com biocombustíveis em aviões da empresa, mas a utilização comercial ainda levará tempo, apesar dos esforços.

"Só se torna viável (biocombustível) se for uma solução universal, por isso existem acordos para acelerar as pesquisas, nos Estados Unidos e Europa, e no Brasil estamos fazendo trabalho com um consórcio mais restrito", disse a jornalistas o executivo, informando que no Brasil trabalha com a Petrobras e a TechBio, de Fortaleza, enquanto em outras partes do mundo mais empresas estariam envolvidas. "Mas temos acordo de confidencialidade", acrescentou.

Ele lembrou que possível novo combustível tem que ser usado em todos os aviões, para garantir a concorrência, e que enquanto não se encontra um substituto que dê o mesmo rendimento que o querosene a tendência é fazer uma mistura com derivados de óleos vegetais, como ocorre com o diesel no Brasil, cuja mistura é de 3 por cento de biodiesel atualmente.

"Os derivados de óleo ainda não nos levam a um substituto do querosene ainda, estamos vendo uma mistura de 5 a 10 por cento (de biocombusíveis ao querosene), o que seria adequado, porque não dá para pensar pegar os 50 mil aviões que estão ai voando e mudar", disse o executivo.

Segundo Yokota, os técnicos químicos envolvidos nas pesquisas afirmam que mesmo que o petróleo caia do patamar atual, acima dos 130 dólares (checar) o barril, a busca por um combustível alternativo valeria a pena até com o preço do petróleo em torno dos 80, 70 dólares.

"É tanto pela questão do preço como da emissão de carbono", observou.

Apesar dos custos em alta o executivo se disse otimista com o desempenho das vendas da empresa, principalmente na área de jatos executivos, que deve dobrar de tamanho em quatro anos. "Hoje corresponde a 15 por cento da nossa receita e vai pular para 30 por cento em 2012", afirmou.   Continuação...