January 10, 2008 / 11:01 PM / in 10 years

Sorridentes, reféns das Farc são libertadas

4 Min, DE LEITURA

<p>As pol&iacute;ticas colombianas Consuelo Gonzalez (2a &agrave; esquerda) e Clara Rojas (direita) s&atilde;o recebidas pelo presidente venezuelano, Hugo Ch&aacute;vez (centro), em Caracas. Photo by Jorge Silva</p>

Por Daniel Muñoz

SAN JOSÉ DEL GUAVIARE, Colômbia (Reuters) - Com amplos sorrisos e longos abraços nos mediadores, duas mulheres foram libertadas na quinta-feira pela guerrilha colombiana Farc, depois de mais de cinco anos de cativeiro.

Graças a um acordo mediado pela Venezuela, um helicóptero resgatou Clara Rojas e Consuelo González na selva colombiana e as levou para o outro lado da fronteira.

TVs mostraram as duas mulheres se despedindo dos seus sequestradores na selva e falando por telefone por satélite com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a quem agradeceram pela mediação.

"Por favor, presidente, não baixe a guarda. Os que ficam para trás querem que eu lhe diga que (...) temos de continuar trabalhando", disse a ex-deputada González, 57 anos, que carregava uma flor cor-de-rosa. "Mil vezes obrigada. O sr. está nos ajudando a viver outra vez."

A ex-assessora política Rojas, 44 anos, está mais magra e seu cabelo castanho lhe cai sobre o rosto. Tanto ela quanto a companheira pareciam cansadas e pálidas, mas bem de saúde.

Elas se despediram das guerrilheiras com beijos e apertaram as mãos dos homens, numa clareira aberta na região da cidade colombiana de San José del Guaviare.

Chávez prometeu continuar trabalhando pela libertação de dezenas de outros reféns, apesar de ter sido afastado no final do ano do papel formal de mediador, depois de irritar o governo colombiano por manter contatos com a cúpula das Forças Armadas.

"Tomara que possamos em breve falar de um segundo grupo (de reféns libertados)", disse Chávez ao comentar ao vivo pela TV a chegada dos helicópteros à Venezuela.

É a primeira vez em mais de 40 anos de existência que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertam reféns tão importantes de forma unilateral.

González e Rojas foram em seguida levadas para Caracas, onde parentes as aguardavam.

"Ainda parece que estou sonhando", disse com olhos marejados Clara de Rojas, mãe da refém quase homônima.

Chávez organizou uma missão semelhante no final de dezembro, quando a guerrilha prometia soltar González, Rojas e o filho dela, Emmanuel, nascido em cativeiro. A operação foi cancelada porque o menino não estava em poder das Farc.

A França, que acompanha o caso diretamente por envolver a ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt, que também tem cidadania francesa e é refém desde 2002, elogiou o processo que levou à mediação. "A França está satisfeita", disse o presidente Nicolas Sarkozy.

"Espero que Ingrid seja a próxima e que possamos tê-la nos braços de toda a família", disse a mãe da ex-candidata, Yolanda Pulecio.

Relutantemente, os EUA admitiram o papel positivo da mediação de Chávez, mas deixaram claro que não pretendem pedir ajuda dele para libertar três reféns norte-americanos das Farc.

Reportagem adicional de Hugh Bronstein, Javier Mozzo e Luis Jaime Acosta em Bogotá, e Deisy Buitrago, Patricia Rondon e Frank Jack Daniel em Caracas

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