Para Meirelles, empresários preferem previsibilidade à euforia

terça-feira, 8 de abril de 2008 20:53 BRT
 

Por Sinara Sandri

PORTO ALEGRE (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu nesta terça-feira a necessidade de manter a estabilidade para garantir a confiança na economia brasileira e reafirmou a importância de uma postura preventiva, em comentários que podem ser vistos como novos sinais de um aperto da política monetária.

"Concordo com a idéia de que temos que manter todos os agentes econômicos animados", disse Meirelles durante evento em Porto Alegre. "Agora, é importante saber o que anima de fato o empresário, se é um impulso de euforia em algum momento ou se é a racionalidade, isto é, a previsibilidade de uma demanda que continuará crescendo nos próximos anos."

"A minha experiência é que a previsibilidade de uma demanda que vai continuar crescendo é o que anima de fato o empresário. Estabilidade é fundamental", ressaltou.

Meirelles evitou o contato com jornalistas e disse que não faria comentários sobre a conjuntura econômica, por estar nos dias que precedem à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 15 e 16 de abril.

Mas se não falou da conjuntura, Meirelles fez um apanhado sobre os índices de desempenho da economia brasileira e das conseqüências positivas da previsibilidade da política econômica em seu discurso no encerramento da 21a edição do Fórum da Liberdade.

Ao analisar o desempenho das vendas do varejo cujo crescimento acompanha o aumento da massa salarial ressaltou que "o Brasil cresce muito impulsionado pela demanda doméstica".

Ao comentar a crise norte-americana, provocado por uma pergunta da platéia, afastou o risco de um descontrole na política econômica brasileira ao lembrar que os níveis de crédito no país estão crescendo, mas não chegam a 35 por cento do Produto Interno Bruto, enquanto em países como a Malásia chegam a 100 por cento e nos Estados Unidos a 200 por cento.

Mesmo assim, enfatizou a necessidade de manter a cautela.

"Ainda temos um longo caminho a percorrer, antes de ter problema, mas compete a qualquer Banco Central estar alerta para prevenir exageros. É importante que isso seja feito por antecipação. São as chamadas preocupações prudenciais."

Os últimos documentos do BC têm mostrado crescente preocupação com a inflação e o mercado espera uma elevação do juro básico, hoje em 11,25 por cento, ao longo do ano. Aumentam as apostas de que isso começaria já na reunião da semana que vem.