15 de Fevereiro de 2008 / às 21:40 / 10 anos atrás

Discurso de FHC sobre escolha de candidatos beneficia Alckmin

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - Ao falar para uma platéia de vereadores tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta sexta-feira que as indicações de candidatos para prefeitos neste ano serão feitas pelas bases do PSDB e não pela cúpula.

Se implantada, a medida deve beneficiar o ex-governador Geraldo Alckmin em sua cruzada para disputar a prefeitura de São Paulo.

"Eu não tenho dúvida. Nós vamos voltar ao poder e 2008 é o primeiro passo da arrancada que vai chegar em 2010. E vamos unidos ao redor dos candidatos que vocês decidirem. Não é a cúpula que vai decidir", disse Fernando Henrique em discurso, referindo-se às eleições municipais deste ano e para governador e presidente daqui a dois anos.

Entre as principais queixas de integrantes do PSDB está o sistema de decisão partidária, concentrado em torno de um pequeno grupo. Além de FHC, compõem a cúpula os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) e o senador Sérgio Guerra (PE), presidente da legenda.

Alckmin corre por fora e vem atraindo integrantes da base e das camadas intermediárias da legenda, mesma atuação de 2006, quando contrariou a direção, que queria Serra, e acabou escolhido candidato à Presidência da República.

"Ele só não será candidato se não quiser ser candidato", afirmou a jornalistas o deputado federal Mendes Thame, presidente do PSDB paulista.

Nesta tarde, Serra também afirmou que "se o Alckmin decidir ser candidato, ele será."

Thame descarta pressões de Serra para que a legenda abdique de uma candidatura em São Paulo e apóie o atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM. "Alckmin terá o respaldo do PSDB unido, sem nenhuma discussão."

Sérgio Guerra diz que o PSDB apoiará Alckmin em qualquer de suas escolhas, seja para prefeito neste ano ou para governador em 2010, como preferem Serra e FHC.

"Esta é uma questão de São Paulo, mas acho que se o Geraldo Alckmin desejar ser candidato o será, com certeza", disse. Quanto à possibilidade de a legenda aderir à uma candidatura de Kassab, Guerra se esquivou. "Eu só penso no PSDB, o DEM não é assunto meu."

A negociação com o DEM é defendida pelo líder da bancada no Senado, Arthur Virgílio (AM), "para vermos o que é melhor." O senador considera "uma bela decisão" se Alckmin preferir concorrer a governador em 2010 e decidir apoiar Kassab, mas se ele se impuser, será o candidato da legenda.

"Serviu para ser nosso candidato a presidente e não serve para ser nosso candidato em São Paulo?" questionou.

Novo líder da legenda na Câmara dos Deputados, José Aníbal, eleito com o respaldo de Alckmin, afirma que o partido não pode abrir mão de uma candidatura na capital, uma vez que há uma resolução da sigla, de agosto de 2007, que determina a disputa em todos os municípios, especialmente aqueles com mais de 100 mil habitantes. "É isso que vale", disse.

Apesar de ter sido convidado, Alckmin faltou ao encontro de vereadores alegando compromissos em universidades. Conversou com Guerra pelo telefone e marcaram uma conversa para a semana que vem, segundo um assessor.

Edição de Mair Pena Neto

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