Rússia acusa UE de ignorar nazismo nos países bálticos

quarta-feira, 10 de outubro de 2007 18:40 BRT
 

MOSCOU (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, disse na quarta-feira que a União Européia está ignorando incidentes de glorificação do nazismo ocorrido na Estônia e na Letônia, dois membros do bloco.

Falando no Kremlin a membros do Congresso Judaico Europeu, Putin se disse chocado pela realização, em março, de um desfile anual da Waffen SS na Letônia.

"Alguns fatos que encontramos em vários países da Europa Oriental provocaram surpresa e incompreensão escancaradas", disse Putin no pronunciamento, transmitido pela TV.

"As atividades das autoridades letãs e estonianas são abertamente coniventes com a glorificação dos nazistas e de seus cúmplices. Mas esses fatos passam despercebidos pela União Européia", acrescentou.

Em 2006, o governo letão proibiu o desfile anual da Legião de Voluntários Letões da Waffen SS, que lutou contra o Exército Vermelho na época da Segunda Guerra Mundial. Apesar da proibição, grupos de ultradireita realizaram a manifestação.

As relações da Rússia com a Estônia também entraram em crise neste ano devido à retirada de um monumento estoniano ao Exército Vermelho. O Kremlin mantém vários atritos desse tipo com os Estados bálticos por causa da Segunda Guerra.

As forças soviéticas anexaram a Estônia, a Letônia e a Lituânia durante a guerra, e os cidadãos dos Estados bálticos lutaram tanto ao lado da Alemanha nazista quanto ao lado dos russos.

A Rússia diz ter liberado esses três países da ocupação nazista, ao custo de 20 milhões de vidas. Moscou vê a vitória contra a Alemanha como um momento de definição na história, e se ressente das acusações de que teria ocupado os países da Europa Oriental.

Mas muitos na região associam a chegada do Exército Vermelho ao início de quase cinco décadas de regime soviético, durante as quais as políticas eram ditadas por Moscou e milhares de pessoas foram presas e deportadas.