FHC compara grampos da PF a práticas de regimes totalitários

quinta-feira, 14 de agosto de 2008 18:35 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Mesmo reconhecendo que o desempenho da Polícia Federal melhorou no atual governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comparou o volume de escutas telefônicas feitas pelo órgão a práticas das polícias secretas de regimes totalitários.

Para o ex-presidente, falta bom senso e respeito a limites por parte da PF.

FHC usou como exemplo o filme alemão "A Vida dos Outros" (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck, que mostra o sistema de controle e vigilância sobre os cidadãos na Alemanha comunista dos anos 1980.

"Quer ter uma situação deste tipo no Brasil? Deixa a vida de cada um com liberdade. Quando houver uma suspeita, aí sim a polícia vai pedir à Justiça (o grampo). Agora, ouvir indiscriminadamente, meu Deus do céu!", disse o ex-presidente a jornalistas, nesta quinta-feira, no comitê de campanha do candidato à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

O debate sobre o grampo telefônico veio à tona na Operação Satiagraha em que a Polícia Federal se utilizou da prática na investigação de crimes financeiros e que resultou na prisão em julho do empresário Daniel Dantas, do ex-prefeito Celso Pitta e do investidor Naji Nahas.

"A Polícia Federal melhorou. É uma questão de equilíbrio. Estamos em uma democracia ainda adolescente. As pessoas às vezes abusam. É bom que haja uma polícia ativa, mas não que haja uma polícia que não respeite certas regras", disse FHC.

Ele afirmou ter sido grampeado "tantas vezes", mas que não teme que ouçam suas conversas ao telefone. "Não tem nada que eu diga em privado que não possa dizer em público." (Reportagem de Carmen Munari)