García forma novo gabinete para "redistribuir" riquezas no Peru

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 19:48 BRST
 

LIMA (Reuters) - O presidente peruano, Alan García, recebeu nesta quinta-feira o juramento do seu novo gabinete e assegurou que as mudanças no governo visam reduzir as desigualdades sociais no país, que registra forte crescimento econômico.

Mas a oposição e os sindicatos disseram que na verdade García se inclinou mais para a direita com a entrada no gabinete de um advogado ligado ao mundo empresarial e de um político conservador, além da manutenção do ministro da Economia, Luis Carranza, responsável por um férreo controle fiscal.

García deu posse a novos titulares das pastas de Habitação e Construção, de Justiça, da Mulher e do Desenvolvimento Social, da Saúde, do Trabalho e da Defesa.

Na primeira vez em que presidiu o Peru (1985-90), García rompeu com os mercados financeiros, quando tentou estatizar os bancos. Agora, porém, converteu-se à defesa dos investimentos internos e estrangeiros e dos tratados de livre-comércio com países ricos.

"É uma ocasião para reafirmar os objetivos que o governo se propõe, redistribuir os frutos desse crescimento econômico", disse García durante a posse dos seis novos ministros, de um total de 15.

O ministro da Defesa, Allan Wagner, deixa o governo para participar do processo na Corte de Haia em que o Peru pleiteia parte do mar territorial chileno. Ele será substituído pelo embaixador peruano na Organização dos Estados Americanos, Antero Flores-Aráoz, ex-presidente do conservador Partido Popular Cristão.

"O que veremos é um acirramento do discurso neoliberal, agora plasmado em algumas decisões de governo", disse o parlamentar Cayo Galindo do opositor Partido Nacionalista.

Juan José Gorriti, dirigente do maior sindicato peruano, criticou a nomeação do advogado Mario Pasco, ex-advogado de grandes empresas e consultor da Organização Internacional do Trabalho, para a pasta dessa área.

(Por Marco Aquino, e colaboração de Jean Luis Arce e Teresa Céspedes)