Crise de Wall Street causa problemas a setor de celulares

quinta-feira, 18 de setembro de 2008 15:00 BRT
 

Por Tarmo Virki

HELSINKI (Reuters) - Os fabricantes de celulares e as operadoras de telefonia móvel correm o risco de perder milhares de seus clientes lucrativos, devido ao tumulto financeiro no setor bancário mundial.

Os analistas afirmam que o sucesso da RIM, fabricante do BlackBerry, é o mais dependente do futuro de Wall Street.

"A RIM provavelmente parece mais exposta a qualquer risco de queda nesse segmento", disse o analista Neil Mawston, do grupo de pesquisa Strategy Analytics, acrescentando que a Palm, HTC e HP também poderiam sentir as dificuldades.

Os fabricantes de celulares já enfrentam uma batalha cada vez mais feroz por mercado, à medida que a demanda se desacelera nos Estados Unidos e na Europa, onde as economias estão sob pressão devido à compressão mundial de crédito.

As operadoras começaram a responder ao crescente problema transferindo suas verbas de subsídio aos modelos mais dispendiosos -na esperança de atrair clientes que gastem mais dinheiro navegando na Internet e verificando suas mensagens de e-mail.

"Na América do Norte, eles vêm visando especialmente os serviços de dados mais intensivos", disse Carolina Milanesi, analista do grupo de pesquisa Gartner.

O mercado mundial de celulares deve crescer em cerca de 10 por cento este ano, estimulado pela alta continuada na demanda por aparelhos baratos em mercados emergentes como a Índia.

Ao mesmo tempo, os mercados maduros de celulares no mundo desenvolvido cresceram no máximo marginalmente. Na Europa Ocidental, as vendas de celulares caíram acentuadamente no primeiro semestre de 2008, de acordo com a Gartner.

Os subsídios das operadoras -essenciais para as vendas de celulares na maioria dos mercados maduros- mostram declínio moderado na Europa Ocidental, enquanto na América do Norte eles estão subindo lentamente, informou o Credit Suisse em nota de pesquisa.

"No entanto, uma substancial realocação está em curso, com 45 por cento dos subsídios nesses mercados dirigidos aos celulares inteligentes, agora, cerca de 20 por cento a mais do que há 18 meses --e acreditamos que a tendência continuará", afirmou o Credit Suisse, acrescentando que ela provavelmente prejudicaria o volume de vendas de celulares mais baratos.