Em meio a impasse, conversas na OMC continuam na terça

segunda-feira, 28 de julho de 2008 22:09 BRT
 

Por William Schomberg e Jonathan Lynn

GENEBRA (Reuters) - As conversas para tentar resgatar um acordo sobre o comércio global continuarão na terça-feira, com os negociadores tentando romper um impasse sobre medidas destinadas a ajudar países pobres a proteger seus produtores rurais contra as importações, disseram ministros.

"Hoje (segunda-feira) foi uma montanha-russa emocional, mas nós voltaremos amanhã (terça) com a forte determinação de prosseguir com as negociações", disse a comissária para a Agricultura da União Européia, Mariann Fischer Boel, a jornalistas depois do oitavo dia de conversas.

"Nós ainda estamos trabalhando", afirmou a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, ao deixar a sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), à noite.

Os Estados Unidos entraram em confronto com China e Índia na segunda-feira, reivindicando mais acesso a seus mercados, e a União Européia pleiteou novas condições nas negociações da OMC em Genebra, o que parece deixar a Rodada Doha do comércio global novamente distante de uma conclusão bem-sucedida.

O novo entrave no processo se chama "mecanismo especial de salvaguarda" (MES), com o qual países pobres poderiam proteger seus produtores rurais contra quebras de preços ou aumento excepcional nas importações. Países em desenvolvimento que são exportadores de alimentos, como Uruguai e Paraguai, se opõem a essa ferramenta.

"Estamos muito preocupados com a direção que alguns países está tomando. Fico muito preocupada de que eles ameacem o resultado desta rodada", disse Schwab.

Ela se referia especialmente a China e Índia, que insistem no mecanismo de proteção a seus produtores rurais. As divergências a respeito do MES impedem avanços também em outras áreas, como a abertura dos mercados industriais, e segundo funcionários dos EUA representam a "maior ameaça" às negociações desde o início da Rodada Doha, em 2001.

Em um telefonema na segunda-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, compartilharam suas preocupações com o rumo do processo, segundo um porta-voz do governo francês.   Continuação...