Turquia retira embaixador dos EUA por causa de questão Armênia

quinta-feira, 11 de outubro de 2007 18:57 BRT
 

Por Paul de Bendern e Evren Mesci

ANCARA (Reuters) - A Turquia retirou na quinta-feira seu embaixador dos Estados Unidos para consultas, reagindo a uma comissão parlamentar norte-americana que aprovou uma resolução qualificando de genocídio a morte de armênios por turcos otomanos no século 20.

A decisão da comissão deve enfraquecer a influência dos EUA sobre a Turquia num momento em que o governo turco cogita uma incursão militar no norte do Iraque, área majoritariamente curda, vizinha à Turquia, para combater rebeldes curdos.

Washington teme que tal ofensiva desestabilize justamente a área mais pacífica do Iraque.

A Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara aprovou na quarta-feira uma resolução qualificando de genocídio as mortes ocorridas durante a Primeira Guerra Mundial.

Os massacres de armênios são um tema muito delicado na Turquia, onde é crime caracterizar esses fatos como "genocídio".

A resolução norte-americana, sem implicações práticas, agora passará ao plenário da Câmara, onde líderes democratas dizem que deve ser votada até meados de novembro.

A Turquia, que tem o segundo maior Exército da Otan (atrás do dos EUA), disse que os laços bilaterais e a cooperação militar podem ser prejudicados se o Congresso aprovar a resolução.

"Retiramos nosso embaixador de Washington para consultas. Não deve ser entendido que o retiramos permanentemente", disse um alto diplomata turco à Reuters.

Em Washington, o embaixador Nabi Sensoy minimizou a importância de sua volta a Ancara. "Este é um assunto normal, especialmente após um certo fato importante ter acontecido", disse ele a jornalistas em frente à sua casa.

(Reportagem de Hidir Goktas em Ancara, Emma Ross-Thomas e Daren Butler em Istambul, Tabassum Zakaria em Washington, Sue Pleming em Washington e David Brunnstrom em Bruxelas)