October 29, 2007 / 7:48 PM / 10 years ago

Kirchner deve manter influência em governo de Cristina

4 Min, DE LEITURA

Por Hilary Burke

BUENOS AIRES (Reuters) - A primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner tornou-se a primeira mulher eleita presidente da Argentina, mas seu marido, o presidente Néstor Kirchner, deve manter grande influência política nos bastidores.

Depois de apuradas 96,4 por cento das urnas, Fernández obtém a vitória eleitoral mais expressiva na história da democracia argentina, com 44,9 por cento dos votos, seguida de longe pela ex-deputada Elisa Carrió, o que permite à primeira-dama evitar o segundo turno.

"(Néstor) Kirchners está deixando o governo, mas não está cedendo o poder", disse o analista Rosendo Fraga na TV.

Os Kirchner são indiscutivelmente o casal que detém o poder na Argentina e tem sido chamados de "os Clintons do Sul", numa referência ao ex-presidente norte-americano Bill Clinton e à sua mulher Hillary, que é senadora e pré-candidata democrata à Presidência.

Cristina, uma advogada de 54 anos, é senadora com vários mandatos e importante assessora do marido. Seu governo, que começa em 10 de dezembro, deve manter os fundamentos econômicos que garantiram o sucesso do mandato de Kirchner.

O chefe de gabinete da Casa Rosada disse que Kirchner, que poderia ter disputado a reeleição, mas preferiu apoiar a mulher, vai respeitar a autoridade dela. "Embora eles discutam tudo, ambos estão perfeitamente cientes do papel que cada um deve cumprir", disse Alberto Fernández a uma rádio local.

A coalizão Frente para a Vitória, uma corrente do Partido Justicialista (peronista), também conseguiu a maioria na Câmara e no Senado, além de eleger oito governadores.

"Este é um triunfo para todos os argentinos", disse Cristina a seus simpatizantes na noite de domingo, na sede da campanha. "Ao invés de nos colocar em uma posição de privilégio, nos dá maiores responsabilidades e maiores obrigações."

Recuperando-se da grave recessão de 2001-2002, a Argentina cresceu a uma média superior a 8 por cento ao ano desde o início do governo Kirchner, em 2003.

"(A eleição de Cristina) é a melhor coisa que poderia acontecer para a Argentina", disse na segunda-feira Ahmad Alauy, um comerciante de meia-idade. "Significa que o projeto do marido dela pode continuar."

O mercado financeiro reagiu positivamente ao resultado já amplamente esperado. Os títulos públicos subiram em média 2 por cento, e a bolsa de valores operava em ligeira alta.

Apesar da boa fase econômica, Cristina deverá se preocupar com a inflação, a escassez energética e a percepção, crescente entre muitos argentinos, de que o casal Kirchner tem muito poder.

"Se não há ninguém contra eles no Congresso, eles vão passar as leis que quiserem", disse o aposentado Antonio Bruno, 67 anos.

Por outro lado, ser eleita com uma margem expressiva é importante num país que, há apenas seis anos, teve cinco presidentes num período de duas semanas.

Em seu discurso de vitória, Cristina adotou tom conciliatório, pedindo o apoio dos argentinos de todos os espectros políticos.

"Sabemos que é necessário aprofundar as mudanças e, para fazer isso, precisamos do apoio de todos os argentinos para nos ajudar", disse ela.

Colaboraram Kevin Gray, Juan Bustamante e Lucas Bergman

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