1 de Janeiro de 2008 / às 18:43 / 10 anos atrás

Após massacre em igreja, mortos no Quênia já chegam a 250

Por Daniel Wallis e Wangui Kanina

NAIRÓBI (Reuters) - Uma gangue incendiou uma igreja do Quênia nesta terça-feira, matando moradores da região que estavam no local, enquanto o número de mortos nos conflitos desencadeados pela contestada reeleição do presidente Mwai Kibaki subiu para quase 200.

A oposição afirma que cerca de 250 pessoas já foram mortas.

No incidente mais grave, aproximadamente 30 pessoas morreram em uma igreja em chamas próxima à cidade de Eldoret, onde um grande número de membros da tribo Kikuyu --a tribo do presidente Kibaki -- havia se escondido temendo por suas vidas.

O ataque revive memórias traumáticas do leste africano de incidentes em igrejas, das milhares de vítimas do genocídio em Ruanda em 1994 e do suicídio em massa de centenas de membros de um culto ugandense em uma igreja incendiada em 2000.

A polícia, a imprensa e uma autoridade de segurança disseram que o fogo na Assembléia Pentecostal de Deus foi proposital e iniciado por uma gangue de jovens.

Testemunhas disseram haver corpos de mulheres e crianças em meio às vítimas nos escombros.

"Esta é a primeira vez na história que um grupo ataca uma igreja. Nós nunca esperávamos que essa selvageria fosse tão longe", disse o porta-voz da polícia Eric Kiraithe.

"Nossos oficiais estão sendo comedidos na aplicação da lei. Essa moderação não vai durar para sempre".

Residentes e fontes de segurança disseram que as vitimas procuravam proteção na igreja, cerca de 8 quilômetros de Eldoret.

"Alguns jovens vieram até a igreja", disse um repórter local que presenciou o incidente. "Eles lutaram com os garotos que estavam fazendo a segurança, mas esses foram dominados e os jovens colocaram fogo na igreja".

A explosão de violência no país que possui uma das democracias mais estáveis e economias mais fortes da África chocou o mundo e deixou os próprios quenianos aterrorizados, por conta das rivalidades tribais de longa data terem levando comunidades distintas a se enfrentarem.

O policiamento estava intenso na capital no primeiro dia do ano, e as ruas estavam tranquilas. Mas a divulgação dos detalhes sobre um crescente número de mortos e da destruição generalizada marca um dos piores momentos do país desde sua independência da Grã-Bretanha.

Num primeiro momento, Washington deu os parabéns a Kibaki, mas então mudou sua reação para expressar "preocupação com as irregularidades".

Grã-Bretanha, União Européia e outros fizeram questão de não dar os parabéns a Kibaki, expressaram preocupação e pediram conversações de reconciliação, além de uma investigação para apurar suspeitas de irregularidade na eleição da quinta-feira.

A missão de observação da UE, em sua avaliação formal do pleito, declarou: "As eleições gerais de 2007 não satisfizeram os padrões internacionais e regionais chave que regem as eleições democráticas".

Diplomatas ocidentais se deslocaram entre representantes das duas partes, tentando dar início a uma mediação. Um deles disse à Reuters: "O governo pensa que poderá superar esta situação, bastando esperar para que as coisas se acalmem, mas não estamos convencidos disso".

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below