Premiê palestino condiciona paz a suspensão de assentamentos

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008 20:44 BRST
 

BERLIM (Reuters) - A iniciativa de paz do presidente dos EUA, George W. Bush, não vai resultar num acordo entre israelenses e palestinos ainda durante seu mandato caso o Estado judeu continue ampliando seus assentamentos na Cisjordânia, disse o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, em entrevista divulgada na noite de segunda-feira pelo jornal alemão Sueddeutsche.

"Se Israel não parar de ampliar imediatamente os assentamentos judaicos, não haverá paz em 11 meses. A expansão dos assentamentos judaicos põe em risco a continuação das negociações de paz", disse Fayyad.

"Teoricamente, as negociações podem ter sucesso até dezembro. Se isso é provável é outra questão. Depende da implementação do mapa da paz", afirmou o premiê na entrevista, realizada no domingo.

Autoridades israelenses e palestinas retomaram na semana passada suas negociações, refletindo a iniciativa adotada pelos respectivos líderes na conferência de novembro em Maryland (EUA). Há, porém, profundo ceticismo da opinião pública quanto às chances de acordo.

Fayyad criticou Israel por não manter sua parte no "mapa da paz" desenvolvido em 2003 pelos EUA, que exigia o congelamento das obras em assentamentos.

"Enquanto estamos falando das principais áreas em disputa, Israel está ampliando seus assentamentos na Cisjordânia. Esse é o maior problema", declarou Fayyad ao jornal.

Pressionado pelos EUA, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, determinou a suspensão das novas obras nos assentamentos. Israel não considera como "assentamentos", porém, as obras em um bairro anexado a Jerusalém, mas que era parte da Cisjordânia.

(Por Madeline Chambers)