Estudo independente da OMS defende sistema universal de saúde

quinta-feira, 28 de agosto de 2008 13:26 BRT
 

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - Grandes desigualdades em termos de acesso a tratamento médico e expectativa de vida ainda persistem no mundo todo, segundo uma comissão independente da Organização Mundial da Saúde (OMS) que, na quinta-feira, pediu a todos os países do planeta que ofereçam assistência médica universal a suas populações.

Discrepâncias enormes verificam-se também dentro de vários países, entre os quais a Escócia, onde um menino nascido no bairro pobre de Calton, em Glasgow, tem uma expectativa de vida 28 anos menor do que um nascido no bairro rico de Lenzie, a apenas 13 quilômetros de distância.

"As desigualdades na área da saúde que verificamos no mundo são absolutamente dramáticas quanto a suas proporções", afirmou a repórteres Michael Marmot, pesquisador da OMS e responsável por dirigir a comissão.

"Entre um país e outro há diferenças de expectativa de vida de mais de 40 anos. Uma mulher em Botsuana vive cerca de 43 anos. No Japão, 86."

A Comissão sobre as Determinantes Sociais da Saúde, formada por 19 especialistas independentes, entregou suas conclusões à OMS. A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) havia encomendado o relatório três anos atrás.

"Uma das recomendações que constam do relatório da comissão é a de que haja sistemas de saúde universais que atendam às pessoas independente da capacidade delas de pagar por isso", afirmou Marmot, chefe da área de epidemiologia e saúde pública da Universidade College London.

"Quase todos os países avançados possuem sistemas de saúde universais, mas não acreditamos que isso deveria se limitar aos países de alta renda. Acreditamos que isso poderia ser disponibilizado de forma muito mais ampla", acrescentou.

A sustentabilidade dos sistemas de saúde preocupa todos os países em meio a um clima de crescente "comercialização" dos serviços, afirmou a comissão.

A entidade defendeu financiar os sistemas de saúde por meio de impostos genéricos e/ou por meio de um seguro universal obrigatório. Os sistemas precisam basear-se no acesso ao tratamento médico básico, algo que, em áreas pobres, deveria atender primeiramente aos grupos menos privilegiados.

O Brasil e a Venezuela ofereceriam exemplos de como programas de saúde de larga escala podem funcionar rumo ao atendimento universal.