OEA quer mediar conflito político na Bolívia, diz Insulza

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007 20:10 BRST
 

WASHINGTON (Reuters) - A Organização dos Estados Americanos está disposta a ajudar na busca por uma solução no conflito político da Bolívia, caso o governo de lá solicite, disse na quarta-feira o secretário-geral da entidade. José Miguel Insulza.

Ele afirmou que a OEA está preocupada com as tensões entre o governo de Evo Morales e alguns governos regionais, agravadas depois da aprovação preliminar de uma nova Constituição.

Quatro governadores que consideram a nova Carta ilegítima se reuniram na terça-feira com o secretário para denunciar supostas irregularidades no processo político.

Insulza disse que a Constituinte boliviana "avançou muito pouco, e isso foi tensionando os espíritos".

Funcionários do governo boliviano também se reuniram na quarta-feira com Insulza para defender sua posição, e num primeiro momento descartaram a mediação da OEA. Em La Paz, porém, Morales disse que o governo aceitaria a presença de observadores regionais. "Que julgue a comunidade internacional o fato de que alguns grupos não respeitam a democracia", afirmou.

O presidente também reiterou o convite aos governadores para um diálogo em La Paz. Seis dos nove governadores são contra a nova Constituição.

Eles condicionaram o encontro com Morales à anulação da Carta e de uma lei que garante uma renda universal a idosos.

Depois de visitarem Insulza, os governadores oposicionistas e dois vice-ministros bolivianos participariam de uma reunião na ONU, segundo o embaixador da Bolívia em Washington, Gustavo Guzmán.

A nova Constituição foi aprovada em primeira votação no fim de novembro, em meio a tumultos na cidade de Sucre, sede da Constituinte, para onde ativistas defendem que seja transferida a capital do país. Os distúrbios deixaram três mortos e impediram a aprovação da Carta artigo por artigo.

(Por Adriana Garcia)