Dilma quer mudar pagamento de royalties no petróleo do pré-sal

sexta-feira, 27 de junho de 2008 14:49 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu nessa sexta-feira uma mudança na fórmula de pagamento de royalties do petróleo que será produzido a partir da chamada camada do pré-sal. Segundo ela, os padrões atuais de pagamento não se aplicariam ao pré-sal

"Não queremos tirar royalties de ninguém, mas queremos discutir os recursos do pré-sal. A ambição do país tem de ser maior. Não pode ser uma distribuição tradicional porque mudou-se de patamar", disse a ministra, durante palestra em evento promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção

Dilma destacou que o governo deveria usar os novos recursos provenientes do pré-sal para investimentos sociais. "Poderia ser em educação, por exemplo, como já acontece na Noruega", disse ela, endossando idéia já manifestada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Petrobras tem feito várias descobertas na camada do pré-sal, mas até agora só estimou as reservas do campo de Tupi, na Bacia de Santos. As acumulações podem ser de 5 a 8 bilhões de barris de óleo equivalente.

INFLAÇÃO

Apesar da alta da inflação nos últimos meses e das projeções maiores do mercado e do Banco Central para 2008 e 2009, a ministra considera que o Brasil vive uma situação de preços bastante confortável. Segundo ela, não há motivo para alarme.

"O governo está atento, considera que a inflação é algo que temos de monitorar, mas a atenção não deve ser confundida com posição catastrofista. Nossa posição será de controle e monitoramento sistemático das variáveis macroeconômicas", afirmou.

Dilma destacou que o governo vai impulsionar a produção nacional de alimentos para enfrentar a escalada dos preços.

"Sabemos que há inflação das commodities de alimentos e metálicas e que o petróleo disparou. O governo pretende tomar medidas para produzir uma das maiores safras em 2009-2010", disse Dilma, ressaltando que o Plano Safra do governo será lançado na próxima semana (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)