Síria promete investigar morte de líder do Hezbollah

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 20:36 BRST
 

Por Khaled Yacoub Oweis

DAMASCO (Reuters) - A Síria vai apresentar em breve provas "irrefutáveis" sobre a autoria do atentado que matou o comandante do Hezbollah Imad Moughniyah, disse na quinta-feira o chanceler Walid Al Moualem, insinuando o envolvimento de Israel no crime.

"Esperamos que em breve ouçamos os resultados deste poderoso esforço", disse Moualem após se reunir com seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki, que havia ido a Beirute participar do funeral de Moughniyah.

O militante foi morto na terça-feira por uma bomba, no bairro Kfar Souseh, em Damasco.

Moualem disse que o atentado matou "qualquer esforço para retomar o processo de paz" entre Síria e Israel. "Quem quer a paz não comete terrorismo, quem quer a paz não sitia Gaza com 1,5 milhão de palestinos lutando pelo mínimo para sobreviver", afirmou.

Ele não informou se alguém já foi preso pelo ataque ou se houve alguma falha na segurança. "Não posso comentar para preservar o segredo da investigação. O combatente Imad Moughniyah era o alvo de muitas agências de inteligência. Ele era a espinha dorsal da resistência islâmica."

O líder máximo do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse que Israel matou Moughniyah, que era procurado pelos EUA. Israel negou a acusação, embora sua divisão de inteligência já tivesse tentado assassiná-lo anteriormente.

Países ocidentais acusam a Síria de servir de rota para o contrabando de armas para o grupo xiita, o que viola uma resolução da ONU. A Síria nega.

Damasco participou em novembro da conferência de paz dos EUA para o Oriente Médio e renovou sua oferta de normalizar as relações com Israel em troca da devolução das colinas do Golã, capturadas em 1967 pelo Estado judeu.

Desde então, porém, Washington ampliou sua pressão sobre Damasco e anunciou nesta semana a intenção de ampliar as sanções financeiras contra autoridades sírias e pessoas a elas ligadas.

Moualem disse que a Síria vai responder "à altura" às novas restrições dos EUA. Ele não entrou em detalhes.