16 de Dezembro de 2007 / às 18:45 / 10 anos atrás

Brasil e Chile cortejam Bolívia com acordos de investimento

Por Helen Popper

LA PAZ (Reuters) - Dois dos moderados de esquerda da América Latina, os presidentes do Chile e do Brasil, vão pedir investimentos e cooperação na Bolívia no domingo, durante uma visita destinada a estreitar relações.

O Chile não mantém relações diplomáticas por inteiro com seu vizinho mais pobre por décadas, mas os laços têm sido estreitados desde que a presidente chilena, Michelle Bachelet, e o presidente boliviano, Evo Morales, assumiram os cargos no ano passado.

A visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tem o objetivo de assegurar o fornecimento de gás natural da Bolívia e barrar a influência da Venezuela no país, disseram diplomatas. Na segunda-feira, Lula deve anunciar investimentos de 750 milhões de dólares da Petrobras para aumentar a produção de gás natural.

Em uma entrevista ao jornal boliviano La Prensa, o presidente brasileiro disse que o projeto vai aumentar a produção em cerca de 8 milhões de metros cúbicos por dia em quatro ou cinco anos. O Brasil importa atualmente até 30 milhões de metros cúbicos por dia.

"Os investimentos vão ser feitos de maneira gradual e não correspondem a tudo o que a Petrobras pode fazer na Bolívia nos próximos anos", disse Lula segundo o jornal.

Diplomatas em Brasília disseram que Lula vai dizer a Morales: "O seu parceiro é o Brasil, não a Venezuela," durante a visita.

Lula e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, são rivais na liderança da América do Sul há anos, e Chávez tem ganhado espaço com o crescimento do bloco anti-americano na região que inclui Morales.

Autoridades disseram que os planos de investimento de Lula na Bolívia também incluem um linha de crédito de 600 milhões de dólares para a construção de estradas, pontes e empréstimos a fazendeiros para a compra de tratores.

Morales, Bachelet e Lula vão assinar um acordo no domingo para a construção de um estrada ligando os três países, da costa brasileira no Atlântico via Bolívia até os portos do Chile no Pacífico, com a intenção de intensificar o comércio, segundo a agência de notícias ABI.

A viagem de Bachelet é uma das poucas de chefes de Estado do Chile para a Bolívia nas últimas décadas, devido a conflitos advindos da guerra do século 19 em que a Bolívia perdeu seu acesso ao Pacífico.

O sentimento anti-chileno na Bolívia continua intenso, e um presidente foi derrubado quatro anos atrás devido a um plano para exportar gás natural via portos chilenos.

As relações entre o Brasil e a Bolívia ficaram estremecidas pela nacionalização do gás de Morales, em maio de 2006. A medida irritou a brasileira Petrobras, a maior investidora na produção de gás natural boliviano.

A companhia congelou investimentos planejados, após a nacionalização, mas agora pretende retomá-los.

Edição Redação Rio de Janeiro

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