10 de Abril de 2008 / às 14:24 / 9 anos atrás

China diz ter impedido plano terrorista contra os Jogos

Por Ian Ramson

PEQUIM (Reuters) - Autoridades chinesas anunciaram na quinta-feira a prisão de 45 homens da região de Turquestão Oriental suspeitos de terrorismo e a interceptação de planos para explodir carros-bomba e sequestrar atletas durante a Olimpíada de Pequim em agosto.

Militantes da etnia uigur se mobilizam pela independência de Turquestão Oriental na região chinesa de Xinjiang --de maioria muçulmana e que faz fronteira com Paquistão, Afeganistão e Ásia Central.

Wu Heping, porta-voz do Ministério da Segurança Pública, disse em entrevista coletiva em Pequim que as autoridades chinesas desbarataram dois grupos "terroristas", sendo um deles ligado ao Movimento Islâmico do Turquestão Oriental --supostamente ligado à Al Qaeda e incluído pela ONU em 2002 numa lista de grupos considerados terroristas.

O grupo teria pedido a seus membros que testassem ataques com carne envenenada, gás tóxico e explosivos acionados por controle remoto, segundo Wu. O objetivo deles, acrescentou, seria "criar um incidente internacional com o objetivo de perturbar os Jogos Olímpicos".

O primeiro grupo, liderado por Aji Muhammat, comprou explosivos e realizou 13 testes, disse Wu, sem identificar a nacionalidade desse suspeito.

O porta-voz acrescentou que os presos confessaram ter recebido ordens para cometer suicídio caso fossem detidos.

Ainda de acordo com ele, a polícia deteve dez suspeitos e apreendeu 16 mil yuans (2.300 dólares), além de uma grande quantidade de materiais para o treinamento da jihad ("guerra santa" islâmica). Vários outros suspeitos estão foragidos.

No segundo caso, as autoridades detiveram 35 pessoas, apreenderam 9,5 quilos de explosivos, oito detonadores e algum material de propaganda jihadista, segundo Wu, acrescentando que esse grupo pretendia sequestrar jornalistas, turistas e atletas estrangeiros.

O segundo grupo também planejava realizar atentados suicidas em Urumqi, capital de Xinjiang, e em outras cidades chinesas, de acordo com o porta-voz.

Wu disse que esse grupo recrutava secretamente pessoas "dispostas a sacrificar suas vidas pela jihad".

"Estamos enfrentando uma real ameaça terrorista. Todos devem manter um alto nível de vigilância", afirmou o porta-voz.

Xinjiang, rica em petróleo, tem uma população de 8 milhões de uigures --um povo de maioria islâmica e raízes turcas, com afinidades culturais e lingüísticas com outros povos da Ásia Central. Muitos deles criticam a crescente presença e poderio econômico na região de chineses da etnia han.

ONGs de direitos humanos acusam Pequim de usar seu apoio à "guerra ao terrorismo" movida pelos EUA para reprimir a população uigur.

Reportagem de Dominique Vidalon

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