Biocombustíveis ameaçam terras de camponeses, diz relatório

segunda-feira, 2 de junho de 2008 09:07 BRT
 

Por Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - A expansão dos biocombustíveis não só está agravando a crise alimentar global como também ameaça expulsar os pequenos lavradores de suas terras, devido à demanda por cultivos intensivos para fins energéticos, segundo relatório a ser apresentado nesta semana numa cúpula da ONU sobre alimentos.

O uso de cultivos alimentícios (como milho, óleo de palma e açúcar) para a produção de etanol e biodiesel é um dos fatores apontados como responsável pelo aumento de preços neste ano, o principal tema da cúpula da FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura), em Roma, de terça a quinta-feira.

Condenado no ano passado como um "crime contra a humanidade" pelo então relator alimentar da ONU, Jean Ziegler, os biocombustíveis são acusados por muita gente de estarem usando terras que poderiam ser empregadas no cultivo de alimentos.

Tanto os Estados Unidos quanto a União Européia têm políticas oficiais de promoção do uso de biocombustíveis como alternativa ao petróleo.

O relatório, publicado na segunda-feira pela FAO e pelo Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, cita vários riscos sociais e ambientais dos biocombustíveis, mas isenta-os de serem a principal causa da crise alimentar.

"Os recentes aumentos nos preços alimentares não foram causados primariamente pelos biocombustíveis", disse o texto, citando quebras de safras, estoques baixos e uma maior demanda por alimentos e rações na Ásia.

O estudo, intitulado "Alimentando a exclusão? O 'boom' dos biocombustíveis e o acesso dos pobres à terra", diz que o impulso aos biocombustíveis representa uma grave ameaça a milhões de lavradores.

Estima-se que 1 por cento das terras aráveis do mundo seja usada por biocombustíveis, cifra que tende a subir para 2,5 a 3,8 por cento até 2030, dependendo dos incentivos oficiais, segundo dados da Agência Internacional de Energia.   Continuação...