Se eleito, Gabeira vai se aproximar do governo, diz ministro

quarta-feira, 15 de outubro de 2008 16:38 BRT
 

Por Fernando Exman

BRASÍLIA, 15 de outubro (Reuters) - Se eleito, o candidato do PV à prefeitura do Rio de Janeiro, deputado Fernando Gabeira, irá se aproximar do governo Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou na quarta-feira o ministro da Cultura, Juca Ferreira, único representante do PV na Esplanada dos Ministérios.

Embora pertença a um partido que integra a base de sustentação do governo no Congresso, Gabeira normalmente vota com a oposição nas sessões da Câmara e é apoiado por PSDB e PPS na corrida pela prefeitura carioca. O parlamentar disputa o segundo turno com Eduardo Paes (PMDB), aliado do presidente Lula e do governador fluminense, o também peemedebista Sérgio Cabral.

"Se o nosso querido Gabeira for eleito, ele vai ter que mudar um pouco a política dele", afirmou o ministro à Reuters, que disse estar conversando com o correligionário sobre o assunto. "Se ele for eleito, ele vai se aproximar muito do governo federal."

O comportamento de Gabeira é um dos exemplos de que o PV, embora aliado no âmbito nacional, faz oposição a partidos da base em cidades estratégicas. Em São Paulo, o partido integra a coligação do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), adversário da petista Marta Suplicy.

Em Natal, Micarla de Sousa (PV) uniu-se ao senador José Agripino Maia (DEM), um dos maiores desafetos do presidente no Congresso. Lula chegou a subir no palanque de Fátima Bezerra (PT) a fim de reforçar a campanha de seu partido na capital do Rio Grande do Norte, mas Micarla venceu a eleição no primeiro turno.

O ministro da Cultura minimizou essas divergências. Há cerca de cinco anos, argumentou, o PV passou por um processo de federalização, por meio do qual as direções regionais do partido ganharam autonomia para fazer alianças.

Ferreira acredita que, depois das eleições municipais, a maioria dos filiados do PV optará por um movimento de reaproximação ao governo, já que, excluindo Gabeira, a bancada da legenda na Câmara acompanha os demais partidos aliados nas votações . Além disso, acrescentou, a maior parte dos dirigentes regionais também é simpática ao governo federal.

"Para mim, é muito claro que precisa um maior alinhamento", declarou o ministro, apesar de reconhecer que a direção nacional do PV está dividida quanto a esse tema. "Eu viajo muito e as pessoas concordam que um partido não pode ser contra e a favor."

O ministro ressaltou também que as alianças de setores de seu partido com legendas da oposição não lhe fragilizam dentro do governo. "Até hoje, eu não fui pressionado", concluiu.

(Edição de Mair Pena Neto)