EXCLUSIVO-Recessão dos EUA pode levar petróleo a US$70

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 20:20 BRST
 

Por Santosh Menon

LONDRES (Reuters) - Uma forte recessão nos Estados Unidos poderia fazer o preço do petróleo recuar em pelo menos 20 por cento, já que o crescimento da demanda na China e na Índia não iria compensar a perda de demanda nos EUA, disse na quarta-feira uma importante autoridade indiana do setor petrolífero.

"Se houver uma séria recessão econômica, os preços poderiam despencar para 70 dólares", disse M.S. Srinivasan, secretário indiano de petróleo, em entrevista à Reuters. Na prática, ele é o mais alto funcionário do ministério indiano de gás e petróleo.

Ele discordou da previsão de que não haverá queda na demanda em caso de recessão nos EUA, pois o crescimento da Ásia e do Oriente Médio iriam compensar a perda.

"Uma recessão de demanda nos EUA terá um enorme impacto na demanda geral por petróleo bruto. Suponha que a demanda dos EUA caia 10 por cento --qualquer recessão séria vai impactar a demanda em pelo menos 10 por cento--, será um enorme impacto sobre a disponibilidade geral de superávit de petróleo", afirmou.

De acordo com ele, os EUA consomem cerca de 28 por cento do petróleo produzido no mundo, e uma redução de 10 por cento na demanda seria quase equivalente a todo o consumo da Índia, que é de 3 por cento do total mundial.

"Qualquer perturbação marginal pode afetar o mercado global de petróleo muito mais do que qualquer aumento significativo no nosso consumo. A China responde a cerca de 8 a 9 por cento da demanda global, e (Índia e China) juntas ficam bem aquém dos EUA."

O barril do petróleo chegou a ser vendido a 100 dólares neste mês, mas na quarta-feira oscilou em torno de 87 dólares. Segundo Srinivasan, uma recessão nos EUA pode fazer o preço cair mais 20 por cento, o que levaria a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a reduzir a produção, para evitar uma queda ainda maior.

Na avaliação dele, o aumento de preços nos últimos meses não se deveu a problemas de fornecimento, e sim a especulações para a formação de estoques, como alega a Opep.   Continuação...