Cúpula da FAO culpa barreiras comerciais por alta do alimentos

terça-feira, 3 de junho de 2008 10:13 BRT
 

Por Stephen Brown e Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) propôs na terça-feira a remoção de barreiras comerciais como forma de evitar um surto de fome que pode afetar quase 1 bilhão de pessoas.

"Nada é mais degradante que a fome, especialmente quando produzida pelo homem", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a uma platéia de líderes mundiais, cujas divergências envolvendo a suposta ligação entre a alta dos alimentos e os biocombustíveis, um dos temas a serem discutidos na cúpula da FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura) em Roma, devem aparecer.

Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, disse que os países ricos têm gasto bilhões de dólares em subsídios agrícolas, desperdício, consumo excessivo de alimentos e armas.

"O consumo excessivo dos obesos do mundo custa 20 bilhões de dólares por ano, aos quais devem se somar os custos indiretos de 100 bilhões de dólares resultantes das mortes prematuras e doenças correlatas."

O Banco Mundial e agências humanitárias estimam que o aumento dos preços alimentícios pode fazer com que o número de famintos no mundo salte de 850 milhões para 950 milhões.

Ban estimou que para evitar uma crise alimentar seria preciso investir de 15 a 20 bilhões de dólares por ano, e que a oferta de alimentos deveria crescer 50 por cento até 2030, para acompanhar a demanda.

"Alguns países agiram limitando exportações ou impondo controles, (isso) distorce os mercados e força os preços a subirem mais. Peço às nações que resistam a tais medidas e imediatamente liberem as exportações destinadas a propósitos humanitários", disse ele.

A inflação global provocou distúrbios em diversos países da África, da Ásia e da América Latina. ONGs dizem que Japão e China contribuíram com a crise ao controlar seus estoques. Durante a cúpula, o premiê japonês, Yasuo Fukuda, prometeu liberar a venda de pelo menos 300 mil toneladas de arroz importado que estão nos estoques do país.   Continuação...

 
<p>O presidente franc&ecirc;s, Nicolas Sarkozy, falando na c&uacute;pula da FAO, em Roma, 3 de junho de 2008  REUTERS. Photo by Pool</p>