Iraquianos se empolgam com Obama, mas se dividem sobr retirada

segunda-feira, 21 de julho de 2008 10:31 BRT
 

Por Khaled Al Ansary e Mohammed Abbas

BAGDÁ (Reuters) - O candidato democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, é muito popular entre iraquianos, que consideram que um negro teria mais condições de entender suas dificuldades, segundo cerca de 25 pessoas ouvidas pela Reuters no país.

Obama chegou na segunda-feira a Bagdá, em sua segunda visita ao Iraque, para enfatizar sua política externa e responder às críticas do rival republicano John McCain, segundo quem o democrata não conhecia de perto a situação do país.

"Apóio Obama, acho que é o melhor para o Iraque e o mundo... Se McCain ganhar, ficarei arrasado", disse Mustafa Salah, funcionário de um escritório em Basra (sul do Iraque).

Em Kirkuk (norte), o médico Hisham Fadhil acrescentou: "Ele é muito melhor que os demais porque é negro, e os negros foram tiranizados na América. Acho que ele sente o nosso sofrimento."

Obama é filho de uma branca do Kansas com um negro do Quênia. Costuma se identificar como negro e aludir à sua origem multirracial.

Em sua passagem pelo Iraque, o candidato deve passar a maior parte do tempo cercado por uma forte segurança, e por isso a população comum não deve nem vê-lo.

Embora a violência esteja em seu menor nível nos últimos quatro anos e haja alguns avanços para a reconciliação política, a ameaça dos carros-bomba e sequestros continua sendo real.

Se há simpatia pelo candidato, os iraquianos se dividem a respeito da proposta dele de retirar as tropas norte-americanas de combate num prazo de 16 meses após sua posse. Muitos temem que as forças locais ainda não tenham condições de assumir a segurança do país.

"O que Obama disse sobre retirar as forças dos EUA é só para ganhos políticos. É irrealista", disse Munadhil Al Mayyahi, um político independente de Basra.

Kamiran Mohammed, de Kirkuk, que recentemente visitou os EUA como participante de uma entidade que faz estudos eleitorais, disse que Obama será melhor para o Iraque do que McCain. "Quando estive nos Estados Unidos concluí que os democratas são mais pacíficos e evitam guerras", disse Mohammed.