Aliados pressionam Turquia a não invadir o Iraque

quarta-feira, 17 de outubro de 2007 20:54 BRST
 

Por Caren Bohan

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos e outros aliados ocidentais pediram na quarta-feira à Turquia que evite uma ação militar contra separatistas curdos no norte do Iraque, já autorizada pelo Parlamento de Ancara.

"Estamos deixando muito claro à Turquia que não achamos que seja dos seus interesses enviar tropas ao Iraque", disse o presidente dos EUA, George W. Bush, em entrevista coletiva. "Na verdade, eles já têm tropas estacionadas no Iraque. Não achamos que seja do seu interesse enviar mais tropas."

Desde o final da década de 1990, a Turquia mantém pequenos contingentes em áreas fronteiriças do norte do Iraque, a partir de onde rebeldes separatistas curdos lançam ataques contra o leste da Turquia. Mas a presença militar turca ali é discreta.

Uma recente intensificação nos ataques da guerrilha curda PKK colocou o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, sob pressão para realizar uma operação militar. Washington teme que isso desestabilize justamente a região mais pacífica do Iraque e agrave os problemas no resto do país.

O governo regional curdo do norte do Iraque disse que um ataque turco contra os separatistas não seria eficaz e abalaria a região.

"Todos na Turquia, mesmo o 'establishment' governista, sabem muito bem que seu país não vai atingir seus objetivos seguindo a opção militar ao tentar resolver a questão do PKK", disse nota do governo regional curdo.

Em conversas com a Turquia, Bush vem dizendo que compreende as preocupações de Ancara com os separatistas, mas que "há uma forma melhor de lidar com a questão do que fazendo os turcos enviarem enormes quantidades de tropas".

A Turquia diz que a aprovação parlamentar dada na quarta-feira não significa que um ataque seja iminente.

Pouco antes da votação, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, telefonou ao presidente turco, Abdullah Gul, para pedir paciência enquanto a diplomacia transcorre.

(Reportagem adicional de Mark John em Bruxelas)