Militares da Mauritânia detêm presidente e tomam o poder

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 12:16 BRT
 

Por Vincent Fertey e Ibrahima Sylla

NUAKCHOTT, Mauritânia (Reuters) - Soldados da Mauritânia, país islâmico do noroeste da África, derrubaram do poder, na quarta-feira, o presidente Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi e anunciaram a formação de um conselho dirigente liderado por militares.

Os soldados capturaram o presidente em seu palácio depois de ele ter substituído oficiais de alta patente da hierarquia militar em meio a uma crise política instalada nesse país, um dos mais novos produtores de petróleo do continente e o qual extrai também ferro, cobre e ouro.

"Os agentes de segurança do Basep (Batalhão de Segurança Presidencial) vieram até a nossa casa por volta das 9h20 (6h20 em Brasília) e levaram meu pai embora", disse à Reuters Amal Mint Cheikh Abdallahi, filha do presidente.

A União Africana (UA) condenou o golpe e exigiu a reinstalação do governo constitucional.

Um "Conselho de Estado" liderado por um dos oficiais afastados, Mohamed Ould Abdelaziz, chefe do Basep, disse que Abdallahi era agora um "ex-presidente" e anulou o decreto anterior que determinava as substituições --entre os afetados estavam o próprio Abdelaziz e o chefe do Exército.

O comunicado, descrito como sendo a "Declaração No. 1" do Conselho, foi divulgado por TVs árabes do golfo Pérsico.

Abdallahi foi eleito no ano passado e tomou posse no lugar de uma junta militar que havia tirado do poder o presidente autocrático Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya, em um golpe pacífico realizado em 2005.

A TV e a rádio estatais, com sede em Nuakchott, deixaram de realizar suas transmissões quando os soldados cercaram os prédios do governo.   Continuação...