Chefe da UE vê falta de equilíbrio em negociação agrícola

domingo, 25 de maio de 2008 13:15 BRT
 

Por Jeremy Smith

MARIBOR, Eslovênia (Reuters) - A comissária da União Européia (UE) para a Agricultura recebeu com reservas, no domingo, um texto de negociação revisado do setor de agricultura para um acordo global de comércio, dizendo haver uma falta de equilíbrio entre áreas fundamentais que impedem o progresso.

Na semana passada, foi emitido um texto revisado sobre o setor agrícola para as negociações da Organização Mundial do Comércio, no mesmo dia em que a nova proposta de bens industrializados foi publicada. Os dois documentos devem gerar mais negociações e preparar o caminho para um encontro de ministros visando um acordo final.

"Eu posso ver passos positivos nos anúncios para produtos sensíveis... mas há áreas em que nós estamos mais desapontados", disse a comissária da UE para a Agricultura, Mariann Fischer Boel, no início de um encontro informal entre ministros europeus.

"Nós queremos um equilíbrio razoável... e eu agora não vejo exatamente um equilíbrio. Nada vai acontecer em agricultura a não ser que vejamos ser possível um acordo equilibrado", avaliou.

O tratamento dado a produtos alimentícios é um dos assuntos mais complicados nas negociações de agricultura da Rodada de Doha da OMC. Países, tanto desenvolvidos como em desenvolvimento, podem proteger certos produtos da força do corte de impostos ao declará-los politicamente sensíveis.

Esses produtos, designados como sensíveis, recebem menores cortes nos impostos, mas os países devem compensar expandindo o volume de cotas para importações a tarifas mais baixas.

Enquanto esse detalhe técnico é complexo, seu resultado vai determinar potencialmente os maiores ganhos da Rodada de Doha no acesso ao mercado por exportadores de alimentos como a Austrália e o Uruguai.

O problema é visto como o principal obstáculo a um acordo na agricultura, que, por sua vez, é chave para um acordo do comércio internacional. Além disso, países em desenvolvimento procuram cortes de impostos de importação para alguns de seus produtos alimentícios conhecidos como produtos especiais, o que desagrada ainda mais Fischer Boel.