EUA testam novas tecnologias de votação eletrônica

sexta-feira, 17 de outubro de 2008 09:17 BRT
 

Por Mary Milliken

LOS ANGELES, 17 de outubro (Reuters) - Na Califórnia, berço da indústria dos computadores, a maioria dos eleitores ainda usará papel e caneta para votar na eleição do dia 4. Enquanto isso, em lugares remotos, como a Amazônia e o Himalaia, eleitores brasileiros e indianos já estão habituados às urnas eletrônicas.

Em 2000, problemas na perfuração de cédulas da Flórida atrasaram em 35 dias o polêmico resultado da eleição que levou George W. Bush à Casa Branca. Para efeito de comparação, na última eleição presidencial brasileira, em 2006, os 130 milhões de votos foram apurados em cerca de 150 minutos.

Embora as eleições norte-americanas ainda pareçam incrivelmente atrasadas, especialistas dizem que desta vez o sistema será mais seguro e confiável do que em 2000 e 2004.

"Retiramos as cédulas perfuráveis, que se mostraram um jeito ruim de votar", disse Charles Stewart, chefe do departamento de Ciência Política do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e membro do Projeto de Tecnologia Eleitoral Caltech/MIT.

"Estamos também a ponto de aposentar as máquinas mecânicas com alavancas, que tampouco são uma forma muito boa de votar. Os eleitores que usam essas duas tecnologias eram 40 a 50 por cento do eleitorado em 2000", disse. Nos EUA, ao contrário do Brasil, não existe um sistema único de votação --cada Estado ou condado define o seu.

A bagunça com as cédulas perfuráveis em 2000 provocou uma corrida para as urnas eletrônicas, mas problemas técnicos e de segurança em 2004 afetaram a reputação dessa nova tecnologia.

Alguns Estados e condados reajustaram seus sistemas eletrônicos, e neste ano condados de 24 Estados usarão urnas eletrônicas ou máquinas com alavancas. Outros, porém, desistiram da eletrônica e voltaram ao papel.

A empresa Diebold --que tem contrato para fornecer as urnas eletrônicas brasileiras-- é muito criticada pela tecnologia empregada nos EUA.   Continuação...