December 3, 2007 / 11:03 AM / in 10 years

PERFIL-Chávez assume "por enquanto" sua 1a derrota eleitoral

4 Min, DE LEITURA

<p>O presidente venezuelano Hugo Ch&aacute;vez segura uma c&oacute;pia da constitui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s (dir) e sua propostas de mudan&ccedil;as durante confer&ecirc;ncia no pal&aacute;cio de Miraflores, em Caracas. Ch&aacute;vez admitiu ter perdido uma batalha, mas n&atilde;o a guerra. Photo by Francesco Spotorno</p>

Por Enrique Andrés Pretel

CARACAS (Reuters) - Embora tenha deixado o Exército há mais de 15 anos, Hugo Chávez garante que nunca deixou de ser um soldado. E, como soldado, admitiu ter perdido uma batalha, mas não a guerra.

A batalha, no caso, foi o referendo de domingo, em que a população barrou uma reforma constitucional que lhe permitiria, entre outras coisas, se candidatar a infinitas reeleições.

"Para mim isso não é derrota nenhuma. Para mim esse é outro 'por enquanto"', disse Chávez, repetindo a frase que dissera ao admitir o fracasso do golpe de Estado que ele tentou em 1992, quando era tenente-coronel pára-quedista do Exército.

Aquela intentona lhe custou mais de dois anos na cadeia, mas foi também o pontapé inicial de uma meteórica carreira política que lhe permitiria ser eleito nas urnas, em 1998, com um discurso de combate à pobreza e à política tradicional.

Desde então, o presidente trava uma guerra constante nas urnas, com sucessivas vitórias -- até esta segunda-feira, quando surgiu o resultado final do referendo da véspera.

"Eu, como presidente da nação, da república, ouvi a voz do povo e sempre vou estar ouvindo-a", disse Chávez, acusado pelos inimigos de ser um "tirano" tentando implantar na Venezuela uma ditadura no estilo cubano.

Apesar de continuar popular, o "Comandante", reeleito há apenas 12 meses por ampla maioria, não conseguiu convencer o país da conveniência da reforma, destinada oficialmente a aprofundar a "revolução socialista" do chavismo.

Chávez pediu a seus seguidores que aceitem o resultado e cumprimentou seus adversários, que chamou de "contra-revolucionários". O segundo mandato de Chávez sob a atual Constituição termina em 2013, e sem a reforma ele terá de sair.

O "não" conseguiu vencer o referendo apesar do intenso uso que o governo fez da campanha pela televisão, na qual não faltavam arroubos do presidente contra seus inimigos, especialmente "o império estadunidense" e a "oligarquia venezuelana", a quem acusa de planejar seu assassinato e até de estragar sua maior diversão.

"Na verdade, para mim, acabou a paixão do beisebol (esporte nacional da Venezuela), até o beisebol perdemos, já é dos gringos", disse recentemente Chávez, que na juventude sonhou em ser jogador nas grandes ligas norte-americanas.

Para seus seguidores, por outro lado, Chávez é puro amor. "Mais que amor, frenesi", costuma cantar durante seus maratônicos discursos, diante de simpatizantes vestidos de vermelho.

É nessas horas que o presidente mostra seu lado mais humano, lembrando episódios da vida. Confessa que sente saudades dos quatro filhos, que está emocionado pelo nascimento do terceiro neto, e recusa com tristeza comentar as críticas de sua segunda ex-esposa ao projeto de reforma.

Sua história de homem humilde que acabou no topo do poder entusiasma a maioria pobre dos venezuelanos, sua base de poder eleitoral, que se sente valorizada com o discurso de dignidade social e com os multimilionários programas sociais financiados com a renda do petróleo.

Segundo de seis irmãos, Chávez nasceu em uma família de poucos recursos, nas planícies sempre citadas em seus discursos e para onde ele pretende se mudar "na companhia de uma boa mulher" quando deixar o comando da República, em 2013 -- "por enquanto".

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