No G8, Índia defenderá relação entre clima, alimentos energia

segunda-feira, 7 de julho de 2008 10:17 BRT
 

Por Krittivas Mukherjee

NOVA DÉLHI (Reuters) - Um acordo global significativo contra o aquecimento global será impossível se não estiver vinculado à segurança alimentar e energética, dirá a Índia na cúpula do G8 que começa na segunda-feira, numa postura que, para as nações desenvolvidas, complica as negociações.

A mudança climática é o principal item da agenda da cúpula que vai de segunda a quarta-feira na ilha de Hokkaido (norte do Japão). O objetivo é definir um acordo que seja aceitável tanto para os países ricos quanto para economias emergentes, como China e Índia.

"A mudança climática, a segurança energética e a segurança alimentar estão interligadas e exigem uma abordagem integrada", disse o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, antes de embarcar para o Japão.

"Na nossa visão, não pode haver solução sem levar em conta os imperativos de desenvolvimento e as aspirações dos países em desenvolvimento", acrescentou.

Até agora não há um acordo global sobre os limites às emissões de carbono, porque os países ricos dizem que Índia e China devem se comprometer de antemão a fazer cortes, o que esses governos rejeitam, alegando que precisam continuar a queima de combustíveis fósseis para alimentar suas economias e tirar milhões de pessoas da pobreza.

Neste momento, a maioria dos analistas só prevê avanços reais quando tomar posse o novo governo dos EUA, em janeiro, razão pela qual há poucas expectativas concretas quanto à cúpula do G8 no Japão.

Diplomatas e ambientalistas esperam que as negociações em 2009 levem rapidamente a um novo tratado, mais abrangente, que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

O atual tratado não exige reduções nas emissões de gases do efeito estufa dos países em desenvolvimento, mas há crescente pressão para que isso conste no futuro acordo.

"Para nós, a prioridade máxima é a eliminação da pobreza, para a qual precisamos de um crescimento econômico rápido e sustentável", disse Singh.

(Reportagem adicional de Tabassum Zakaria em Hokkaido)