Justiça argentina processa De la Rúa por mortes em protestos

terça-feira, 23 de outubro de 2007 15:22 BRST
 

BUENOS AIRES, 23 de outubro (Reuters) - A Justiça argentina embargou 6,2 milhões de dólares do ex-presidente Fernando de la Rúa em um processo que investiga a morte de cinco manifestantes durante um tumulto no fim de seu mandato, em 2001, disse uma fonte judicial na terça-feira.

Ainda não se trata de um indiciamento. O juiz federal Claudio Bonadío está investigando a responsabilidade pelas cinco mortes e dezenas de feridos nos choques entre manifestantes e policiais no dia 20 de dezembro de 2001.

O magistrado considerou que o então presidente "não usou as ferramentas" de que dispunha como chefe de Estado para "evitar os graves episódios de violência" que aconteceram, segundo o texto judicial.

"Não cumpriu o dever de cuidar", acrescentou a resolução. A causa só trata das mortes que ocorreram na capital. Em todo o país, 33 pessoas morreram durante os protestos.

De la Rúa tinha assumido a Presidência em 1999, sucedendo Carlos Menem. Dois anos depois, foi obrigado a abandonar a sede do governo de helicóptero, em meio a protestos de milhares de pessoas às portas da Casa Rosada, que pediam sua renúncia.

Naquele momento, o país entrou em estado de sítio e a população pedia que todos os políticos fossem embora.

A decisão do juiz Bonadío também inclui o processo contra chefes de polícia que atuaram durante a crise. Outras autoridades já estavam sendo processadas pelo episódio.

Se o processo contra De la Rúa for confirmado pela Câmara Federal, ele deve ir a júri.