Antes de cúpula da ONU, ativistas falam em 'catástrofe' da fome

segunda-feira, 2 de junho de 2008 12:07 BRT
 

Por Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - O acentuado aumento do preço dos alimentos poderia provocar uma catástrofe mundial, uma catástrofe em que pobres do mundo todo ficariam impossibilitados de dar comida para suas famílias, afirmaram ativistas dos direitos humanos na segunda-feira.

O alerta surgiu no momento em que líderes do mundo todo desembarcavam em Roma para participar de uma cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) em que de debaterão formas de combate à crise dos alimentos, responsável por empurrar para a fome 100 milhões de pessoas, provocar manifestações de rua e agravar a violência em zonas de conflito.

"A atual crise dos alimentos equivale a uma imensa violação dos direitos humanos e poderia gerar uma catástrofe global, já que muitos dos países mais pobres do mundo, em especial os que se vêem obrigados a importar comida, teriam dificuldade para alimentar sua população", disse o grupo de combate à pobreza ActionAid, com sede em Johanesburgo.

"Provoca indignação o fato de as pessoas pobres estarem pagando o preço por décadas de políticas erradas, tais como a falta de investimento na agricultura e o desmantelamento das estruturas de apoio aos agricultores pobres", disse Magdalena Kropiwnicka, analista do ActionAid.

No total, 44 dirigentes de diferentes países devem participar do encontro de três dias, que lança uma rodada de negociações internacionais a respeito da pobreza, da fome e do desenvolvimento, rodada essa a estender-se pelos próximos meses e que deve abranger, entre outros, a Cúpula do Grupo dos Oito (G8), a Assembléia Geral da ONU e as discussões potencialmente conclusivas a respeito das novas regras do comércio mundial.

"Essa é uma questão multifacetada que demanda uma resposta multifacetada e análises multifacetadas", afirmou o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, acrescentando ter esperanças de que do encontro saia uma "mensagem contundente a respeito de medidas de médio e longo prazo tais como aumentar a produção de alimentos e a produtividade agrícola".

As discussões sobre a fome, no entanto, correm o risco de serem ofuscadas pela presença, na cúpula, dos presidentes do Zimbábue, Robert Mugabe, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que mantêm relações tensas com as potências ocidentais.

A União Européia (UE) proibiu Mugabe de ingressar em seu território, mas isso não se aplica às reuniões da ONU.   Continuação...