Líder em Porto Alegre, Fogaça prescinde do apoio de Lula

sexta-feira, 19 de setembro de 2008 18:38 BRT
 

Por Sinara Sandri

PORTO ALEGRE (Reuters) - Enquanto aliados disputam o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até oposicionistas tentam mostrar proximidade, o candidato à prefeitura de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), não tira proveito de ser de um partido da base do governo e faz campanha alheio à popularidade de Lula.

Líder nas pesquisas de intenção de voto desde o início da campanha, Fogaça aposta mais nas lideranças locais e nas alianças que montou para reforçar sua candidatura.

"Estamos disputando a eleição da capital dos gaúchos. A estratégia é fincar pé nas questões locais e não vincular com o (quadro) nacional", disse Clóvis Magalhães, coordenador da campanha de Fogaça, à Reuters.

Segundo Magalhães, a opção está associada a uma "coerência com o município", e a ênfase se baseia na formação da aliança que sustenta Fogaça e que inclui o PDT e PTB, partidos de grande expressão estadual e que já tiveram experiências na administração da capital.

Além disso, boa parte das lideranças peemedebistas gaúchas tem tradição na defesa de estratégias de construção partidária e de não alinhamento aos governos federais. Em 2006, protagonizaram um movimento em defesa da candidatura própria nas eleições presidenciais e lançaram o então governador Germano Rigotto como pré-candidato, em uma disputa interna que acabou sendo vencida pelo ex-governador do Rio, Antony Garotinho.

"O presidente Lula é fundamental como parceiro para o desenvolvimento de Porto Alegre e o PMDB é o maior parceiro do governo Lula, nem por isso o reivindicamos como cabo eleitoral", disse Magalhães.

ADVERSÁRIO COMUM

Fogaça concorre à reeleição e lidera a disputa, com 33 por cento das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha feita nos dias 17 e 18 de setembro. Por enquanto, assiste de camarote a uma disputa acirrada entre as deputadas federais Manuela D'Ávila (PCdoB) e Maria do Rosário (PT) pela outra vaga no segundo turno. As duas estão rigorosamente empatadas, com 18 por cento da intenções de voto, e brigam pela exclusividade do vínculo com o presidente Lula.   Continuação...