20 de Fevereiro de 2008 / às 22:06 / em 10 anos

Após otimismo, Rodada de Doha está praticamente parada

Por Jonathan Lynn

GENEBRA (Reuters) - Menos de um mês depois das declarações otimistas de ministros sobre a possibilidade de concluir a Rodada de Doha de negociações comerciais globais, o processo está praticamente paralisado, segundo diplomatas ouvidos na quarta-feira.

Palavras como “frustração” e “exaustão” ecoam nos corredores da Organização Mundial do Comércio (OMC) conforme os diplomatas mergulham sobre os novos textos-base preparatórios para a próxima reunião ministerial.

“Não está com boa aparência. Não vai decolar. Estamos prontos para fazer uma contribuição, mas temos de vender isso ao nosso eleitorado”, disse Faizel Ismail, embaixador da África do Sul junto à OMC.

Nesta semana ocorreram três reuniões sobre a questão agrícola, mas praticamente sem avanços.

“As pessoas estão só reiterando e endurecendo suas posições. Está ficando complicado”, disse o negociador-chefe da questão agrícola de um importante país desenvolvido.

Tantos os países ricos quanto os pobres se queixam também das propostas para a indústria, pois o mediador da OMC, no afã de buscar um acordo, teria criado incertezas ao abrir exceções demais nos cortes tarifários nos países em desenvolvimento.

A Rodada de Doha foi lançada em 2001 para tentar ampliar o comércio mundial. Ela foi declarada morta várias vezes, mas retomada em meados de 2007. No mês passado, ministros de Comércio reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos se disseram determinados a fazer avanços no seu encontro de março ou abril e a completar o acordo até o final deste ano.

O impasse agora diz respeito a uma das principais barganhas previstas na Rodada Doha --que os países ricos cortem tarifas e subsídios para abrir seus mercados agrícolas, enquanto as nações em desenvolvimento deveriam reduzir os entraves à importação de produtos industrializados e serviços.

Países ricos e importadores de alimentos, como os da União Européia, dizem que não têm mais como avançar na questão agrícola e insistem em exceções para proteger determinados produtores seus da abertura.

Ao mesmo tempo, eles dizem que os países em desenvolvimento não estão avançando o suficiente na liberalização industrial.

Os países pobres, por sua vez, dizem que há pressão para abrir os setores industriais antes de saberem o que receberão em troca na questão agrícola --o setor mais importante para eles.

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