Cúpula coloca protagonistas da crise andina cara-a-cara

sexta-feira, 7 de março de 2008 09:50 BRT
 

SANTO DOMINGO (Reuters) - Os presidentes de Equador, Venezuela e Colômbia, envolvidos nesta semana em uma crise diplomática de graves proporções, se encontrarão na sexta-feira na 20a Cúpula do Grupo do Rio, na República Dominicana

Os presidentes equatoriano, Rafael Correa, e venezuelano, Hugo Chávez, querem que seu homólogo colombiano, Alvaro Uribe, peça desculpas formais pela ação militar colombiana de sábado contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, que resultou na morte do dirigente rebelde Raúl Reyes.

Venezuela e Equador romperam relações diplomáticas com Bogotá e enviaram tropas às fronteiras com a Colômbia, que por sua vez acusa os dois vizinhos de colaborarem com a guerrilha. Os três países dizem, porém, que não desejam uma guerra.

"É claro que nesta reunião se pode pôr fim ao conflito. É tão fácil quanto escutar as desculpas sem atenuantes, sem condições, sem falácias por parte do presidente Alvaro Uribe", disse Correa ao chegar a Santo Domingo.

A reunião do Grupo do Rio, que congrega países latino-americanos, estava programada desde muito antes do início da crise

Correa disse que a Colômbia deve se comprometer a não violar novamente o território de seus vizinhos, e exigiu também que pare de acusar Quito de apoiar as Farc.

"É hora de tomar decisões. Tomara que todos tenhamos consciência, irmãos da América Latina, que este não é um problema bilateral entre Colômbia e Equador", disse Correa, fazendo um apelo para que o Grupo do Rio condene a ação colombiana.

Na quarta-feira, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou resolução que rejeita a incursão colombiana, mas sem condená-la abertamente. Por isso, Correa disse que está disposto a ir até "as últimas consequências" para obter a reprovação internacional a Bogotá.

Uribe, principal aliado dos EUA na América do Sul e popular na Colômbia graças à linha-dura contra a guerrilha e a criminalidade, chegou a Santo ?Domingo sem fazer declarações sobre a crise.

Mas o presidente diz que já se desculpou e que a Colômbia gostaria de ter maior cooperação de seus vizinhos na luta contra as Farc.

(Reportagem adicional de Patrick Markey)