29 de Fevereiro de 2008 / às 14:16 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Como Hillary deixou escapar uma liderança tão folgada?

<p>A pr&eacute;-candidata democrata &agrave; presid&ecirc;ncia dos EUA, Hillary Clinton, durante campanha em Ohio. Photo by Shannon Stapleton</p>

Por Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - Como a democrata Hillary Clinton deixou de ser o nome favorito para conquistar a vaga do partido nas eleições presidenciais dos EUA para transformar-se em uma pré-candidata que hoje luta por sua sobrevivência política?

Estrategistas da legenda e analistas de política afirmam que o caminho dela para a terra prometida da disputa presidencial enfrentou vários percalços.

A campanha da pré-candidata deixou-se tomar pelo excesso de confiança, não respondeu aos contagiantes apelos por mudança do adversário Barack Obama e não conseguiu controlar o ex-presidente Bill Clinton, entre outras falhas.

Quando lançou sua pré-candidatura, 13 meses atrás, Hillary o fez com uma declaração autoconfiante: "Estou na disputa, e estou na disputa para vencer." Em agosto, a ex-primeira-dama dos EUA liderava com folga as pesquisas, aparecendo 18 pontos percentuais à frente de Obama, o segundo colocado.

Ao lado de um marido politicamente brilhante, Hillary, atual senadora pelo Estado de Nova York, era vista pelos republicanos como o candidato a ser vencido nas eleições presidenciais de novembro.

Ela e seus assessores projetavam um ar de inevitabilidade, e a pré-candidata tentou colocar-se acima do bafafá criado por seus rivais imediatos dentro do Partido Democrata.

Muitas autoridades de Washington concluíram que a senadora derrotaria o candidato republicano na corrida pelo mais alto cargo do país, já que muitos norte-americanos mostram-se dispostos a mudar de rumo após os oito anos do governo de George W. Bush, um republicano.

Naquele momento, porém, os eleitores começaram a confundir os donos do poder e os especialistas em pesquisa.

Hillary perdeu as prévias de Iowa para Obama, venceu em New Hampshire, dividiu com o pré-candidato os Estados da "superterça" e depois perdeu 11 disputas consecutivas para o senador de Illinois.

Um dia de profundas reflexões se aproxima, a próxima terça-feira, quando acontecerão prévias democratas no Texas e em Ohio. Qualquer resultado diferente de vitórias convincentes nos dois Estados poderá significar o fim da campanha de Hillary.

Stephen Hess, professor da Universidade George Washington, disse que a equipe da pré-candidata "aceitou como fato consumado os indícios do triunfo dela."

"Havia um sentimento de que aquilo era o direito deles", afirmou.

VONTADE DO POVO?

Jim Duffy, um estrategista do Partido Democrata, disse que a campanha de Hillary "basicamente interpretou mal" a população norte-americana, acreditando que os eleitores prefeririam a experiência dela aos apelos de Obama por uma mudança radical na forma como Washington conduz seus negócios.

"Quando Obama pegou fogo, eles não dispunham de nada com o que responder porque a campanha toda deles baseava-se na premissa de que conhecem Washington e de que sabem como agir ali de forma a obter resultados", afirmou.

"Obama é o homem que acalenta esperanças e defende mudanças. Quem desejaria ficar contra ele?"

Segundo Liz Chadderdon, estrategista também dos democratas, Hillary nunca teve uma mensagem própria e nunca criou um vínculo emocional com o eleitorado semelhante ao de Obama.

"Regra Número 1: Insista em sua mensagem. Neste momento, alguém consegue dizer qual a mensagem da campanha dela?", afirmou Chadderdon.

"Ela interpretou mal o que significa uma mudança. Mudar não significa mudar as políticas de governo. Mudar significar realizar uma mudança fundamental na forma como funciona o jogo político neste país."

Os especialistas também afirmaram que o marido dela acabou por prejudicá-la. Durante semanas, o ex-presidente falou tanto a respeito dele próprio quanto dela, lembrando os norte-americanos dos bons tempos de seu governo, mas também dos problemas enfrentados pelo país então.

Na Carolina do Sul, Bill Clinton deixou indignados os eleitores negros ao dizer que a força de Obama ali equivalia a de outro candidato afro-americano, Jesse Jackson, que venceu no Estado em 1984 e 1988, mas que perdeu a vaga do Partido Democrata.

Em suma, segundo um outro estrategista democrata que não quis ter sua identidade revelada: "Acho que, basicamente, ela perdeu sua chance. Acho que o momento dela passou. No dia em que Barack Obama ingressou na corrida, selou-se, de alguma forma, o destino de Edwards (John Edwards, ex-pré-candidato democrata) e de Clinton."

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