May 1, 2008 / 3:46 PM / 9 years ago

Rice regressa ao Oriente Médio com poucos sinais de avanço

7 Min, DE LEITURA

<p>A secret&aacute;ria de estado norte-americana, Condoleezza Rice, em Washington, 29 de abril. Photo by Larry Downing</p>

Por Arshad Mohammed

WASHINGTON (Reuters) - Com poucos resultados para mostrar, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, realiza neste fim de semana sua quarta visita a Israel e aos territórios palestinos desde a conferência de paz de Annapolis, realizada em novembro.

Viajando antes da visita a ser feita pelo presidente norte-americano, George W. Bush, entre os dias 13 e 18 de maio --Bush pretende ir a Israel, à Arábia Saudita e ao Egito--, Rice partiu de Washington na quinta-feira e se reunirá com autoridades dos dois lados a fim de avaliar o estágio das negociações de paz.

Seus esforços, porém, acontecem em meio a poucos sinais visíveis de progresso.

Autoridades norte-americanas e analistas manifestaram descrédito sobre a viagem da secretária, que começa em Londres, na sexta-feira, quando Rice deve realizar negociações com vistas a reavivar a economia dos territórios palestinos, controlar o programa atômico de Israel e dar apoio à recém-declarada independência de Kosovo.

A secretária dirige-se então para Jerusalém e para a Cisjordânia a fim de reunir-se, no sábado e no domingo, com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e assessores dos dois.

"Tudo isso são esforços realizados nos bastidores. Rice não falará muita coisa em público. Ela está tentando fazer com que os dois lados discutam as questões centrais e que avancem a respeito delas", afirmou uma importante autoridade dos EUA que não quis ter sua identidade revelada.

Entre suas várias atividades, a secretária, segundo essa autoridade, avaliaria "o quão ativa precisará ser ao apresentar suas próprias idéias para os dois lados envolvidos a fim de que o processo dê um passo adiante."

O governo Bush tem optado por não circular sugestões próprias com vistas a fazer os dois lados superarem suas diferenças, preferindo deixar que trabalhem esses pontos em contato direto um com o outro.

Martin Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel e hoje pesquisador do Instituto Brookings, mostrou-se cético quanto à possibilidade de o atual governo norte-americano apresentar suas idéias sobre como selar um acordo de paz que colocaria fim a um conflito de seis décadas.

"Não vejo nenhum sinal disso. Acho que a atitude bastante clara deles a respeito disso --ou ao menos a atitude do presidente-- é de que cabe às partes envolvidas chegar a um acordo", disse Indyk.

"ARES DE INSATISFAÇÃO"

Segundo o analista, as negociações sobre as fronteiras, os assentamentos judaicos, o status de Jerusalém e o destino dos refugiados palestinos poderiam estar avançando. Porém, o ar de descontentamento de Abbas ao reunir-se com Bush em Washington, na semana passada, sugeria o contrário.

"Abu Mazen (Abbas) saiu daqui (dos EUA) com ares de insatisfação --e eu acho que isso é um sinal de que as coisas não estão correndo muito bem", afirmou.

Indyk disse ainda achar "muito mais preocupante" o fato de ter havido poucos avanços práticos, notando que Israel, desde as negociações de paz de Annapolis, adotou várias manobras para continuar ampliando seus assentamentos e que pouco fez para diminuir os bloqueios montados dentro da Cisjordânia.

Do lado palestino, não se sabe ainda se as forças de segurança controladas por Abbas teriam sido melhoradas o suficiente para enfrentar os grupos militantes.

Em Londres, Rice participará de um encontro do Quarteto de mediadores para o Oriente Médio --EUA, União Européia (UE), Rússia e a Organização das Nações Unidas (ONU) -- e de uma reunião com entidades responsáveis por fazer doações para os palestinos.

A secretária também tomará parte, ao lado de grandes potências mundiais (além dos EUA, a Grã-Bretanha, a França, a China, a Rússia e a Alemanha), de discussões sobre a possibilidade de melhorar o pacote de incentivos oferecido ao Irã em 2006 a fim de convencer esse país a abrir mão de seu programa de enriquecimento de urânio.

O Conselho de Segurança da ONU adotou três conjuntos de sanções contra o Irã porque esse país não atendeu à exigência do órgão para que paralisasse seu programa, que poderia ser usado na fabricação tanto de combustível de usina nuclear quanto de material de bombas atômicas.

O Irã não cedeu às sanções e rechaçou ofertas anteriores envolvendo a troca de benefícios econômicos pela suspensão do enriquecimento de urânio. O país islâmico afirma que pretende dominar essa tecnologia para produzir energia elétrica em usinas nucleares e, assim, ampliar a exportação de petróleo e gás natural.

Em junho de 2006, as seis potências mundiais ofereceram ao Irã vários incentivos, entre os quais cooperação na área atômica e a ampliação dos laços comerciais nos setores da aviação civil, da alta tecnologia e da agricultura.

A Rússia e a China defendem ampliar a oferta de benefícios, ao passo que os EUA, que romperam suas relações diplomáticas com o Irã depois da Revolução Islâmica (de 1979), rechaçam essa idéia.

Um diplomata do Ocidente disse acreditar ser improvável que os seis países cheguem a algum acordo sobre o aumento dos incentivos. "Eu não identifico qualquer chance de avanço nesse ponto", afirmou.

Um outro diplomata ocidental, no entanto, disse que um acordo dependeria de a Rússia e a China aceitarem uma melhoria mais modesta na oferta de benefícios.

"Esse é, na nossa opinião, um exercício voltado mais para mostrar às autoridades e à opinião pública iranianas, caso isso seja possível, que essa é a segunda parte de um pacote que muitas vezes parece estar esquecido", afirmou.

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