China faz prisões por "crimes graves" no Tibet

quinta-feira, 20 de março de 2008 09:14 BRT
 

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - As autoridades do Tibet prenderam 24 suspeitos de "crimes graves", depois que soldados dispersaram as manifestações contra o domínio chinês na região.

O Ministério Público de Lhasa, a capital tibetana, disse que os suspeitos devem ser indiciados por "ameaçar a segurança nacional e por agredir, quebrar, saquear, incendiar e cometer outros crimes graves", disse o jornal Tibet Daily na quinta-feira.

Foram as primeiras prisões anunciadas desde o início dos distúrbios em áreas tibetanas, mas outras ainda devem ocorrer. Alguns grupos no exterior dizem que centenas de tibetanos podem já ter sido detidos, e a agência China News Service disse que o governo regional divulgou imagens de outros procurados.

"Os fatos dos crimes são claros e as provas são sólidas, e eles devem ser severamente punidos", disse o vice-procurador Xie Yanjun.

Ele reiterou a suspeita do governo chinês de que os protestos foram articulados pelo Dalai Lama, líder espiritual tibetano no exílio. "Essa violação da lei foi organizada, premeditada e cuidadosamente planejada pela camarilha do Dalai", afirmou.

Na Índia, onde vive exilado, o Dalai Lama negou participação nos distúrbios. Ele afirma defender uma maior autonomia para o Tibet, mas não a independência.

A repressão aos distúrbios levou grupos tibetanos e políticos estrangeiros a proporem um boicote à cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, em 8 de agosto. A passagem da tocha olímpica por 19 países começa na semana que vem e deve incluir também uma escala no Tibet. Protestos contra a China devem acompanhar essa cerimônia mundial.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que seu governo ainda está avaliando se enviará uma delegação à cerimônia de abertura.   Continuação...

 
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