27 de Fevereiro de 2008 / às 16:33 / 10 anos atrás

Apesar de julgamento de Fujimori, valas comuns assombram Peru

Por Dana Ford

LIMA (Reuters) - Distantes do julgamento por abusos dos direitos humanos em que é réu o ex-presidente Alberto Fujimori, especialistas realizam exames de DNA para tentar descobrir a identidade de milhares de vítimas da guerra civil no Peru.

Fujimori responde à acusação de ter ordenado a morte de 25 pessoas, mas quase 70 mil perderam a vida ou desapareceram durante a guerra. E o período mais violento deu-se na década que antecedeu a posse dele, em 1990.

Alguns peruanos afirmam que o julgamento de Fujimori agora chama atenção para o trabalho de identificar as vítimas e permitir às famílias enterrar seus parentes de forma apropriada.

“A corrupção e os abusos dos direitos humanos começaram muito antes de Fujimori”, afirmou José Pablo Baraybar, um antropólogo que comanda a equipe de peritos responsável por recolher amostras de DNA de dezenas de familiares dos desaparecidos.

O violento conflito, iniciado em 1980, colocou os militares, a policia e milícias camponesas contra dois grupos armados de esquerda -- o Sendero Luminoso e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru.

Os radicais maoístas do primeiro grupo impuseram um reinado de terror em áreas da zona rural. Já as forças de segurança investiram contra ativistas estudantis e líderes de sindicato que suspeitavam terem laços com os guerrilheiros.

A maior parte das vítimas morreu na década de 1980. Fujimori governou de 1990 a 2000, e é atribuída a ele a responsabilidade por ter capturado os principais líderes do Sendero Luminoso.

Mas a opinião pública virou-se contra o então dirigente devido aos escândalos de corrupção em seu governo e por causa de seu estilo autoritário de administrar o país.

O julgamento no qual Fujimori enfrenta acusações de ter ordenado um esquadrão da morte assassinar supostos esquerdistas iniciou-se três meses atrás.

Os familiares das vítimas dizem que o julgamento dele é um momento importante da história do país, mas se preocupam com a possibilidade de a condenação de Fujimori desviar o Peru da tarefa de enfrentar as atrocidades cometidas anteriormente.

“Todos os governos cometeram os mesmos crimes e todos deveriam ser levados à Justiça”, afirmou Cirila Pulido, 36, que forneceu seu DNA nesta semana. A mãe e o irmão mais novo dela foram mortos 23 anos atrás e os corpos deles não foram encontrados.

Angelica Mendoza, 79, fala frequentemente sobre a noite de 1983 na qual soldados arrancaram seu filho adolescente de casa, em Ayacuho, local de nascimento do Sendero Luminoso.

Mendoza espera que Fujimori seja condenado à pena máxima de 30 anos de prisão. E espera também que os esforços continuem.

“Nunca nos esqueceremos dos milhares de pessoas que desapareceram”, disse. “E nunca vamos deixar de procurar por elas.”

REUTERS FE

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