Rússia propõe tratado contra corrida armamentista no espaço

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 09:58 BRST
 

Por Sam Cage

GENEBRA (Reuters) - A Rússia propôs na terça-feira um tratado que proíba o desenvolvimento de armas no espaço sideral, já que isso poderia levar a uma nova corrida armamentista e a uma repetição da Guerra Fria.

O esboço do tratado, apresentado por Rússia e China a um fórum promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), proíbe o envio de armas para o espaço, além de ameaças e do uso da força contra satélites e outros objetos em órbita, segundo o chanceler russo, Sergei Lavrov.

"A instalação de armas no espaço por parte de um Estado resultará inevitavelmente numa reação em cadeia", disse Lavrov em discurso aos 65 membros da Conferência sobre o Desarmamento, que funciona em Genebra. "Isso, por sua vez, está fadado a gerar uma nova espiral na corrida armamentista tanto no espaço quanto na Terra."

Aparentemente, tratava-se de um recado aos Estados Unidos. As relações entre Moscou e Washington se deterioraram nos últimos anos, em parte devido aos planos dos EUA para retomar o seu projeto "Guerra nas Estrelas", da década de 1980, com uma nova geração de escudos antimísseis.

O Kremlin critica repetidamente também os planos dos EUA para construir uma nova rede de defesa contra mísseis em países ex-comunistas da Europa.

Lavrov disse que a corrida por armas nucleares levou à Guerra Fria (confrontação entre países capitalistas e comunistas após a Segunda Guerra Mundial). Isso, lembrou ele, "durou mais de quatro décadas e resultou num gigantesco desperdício de material e de outros recursos à custa de encontrar soluções para o problema do desenvolvimento". "Vale a pena repetir a história?", questionou.

Um tratado de 1967 proíbe a instalação de armas de destruição em massa (inclusive nucleares) no espaço, mas os planos norte-americanos criam preocupação com uma corrida armamentista convencional no cosmo.

A Conferência sobre o Desarmamento tenta sem sucesso há dez anos alcançar um consenso sobre a necessidade de iniciar negociações a respeito de qualquer dos seus temas.

Autoridades dos EUA em Genebra não quiseram comentar as declarações de Lavrov.