Chico Alencar rejeita voto útil da esquerda no Rio

quinta-feira, 28 de agosto de 2008 15:50 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Nenhum candidato à prefeitura do Rio de Janeiro personifica melhor o racha da esquerda nas eleições municipais que Chico Alencar (PSOL): ex-petista e dissidente do governo federal, hoje lança duras críticas contra Alessandro Molon (PT) e Jandira Feghali (PcdoB), a quem chama de "luladependentes".

Sabatinado em evento promovido pelo Grupo Estado, nesta quinta-feira, Chico Alencar rejeitou ainda a idéia de "voto útil da esquerda", que tem sido pedido por Jandira aos eleitores -- o que favoreceria a própria candidata, que apareceu tecnicamente empatada com Marcelo Crivella (PRB) e Eduardo Paes (PMDB) na liderança da última pesquisa de intenção de votos.

"A Jandira deveria falar com Crivella e Eduardo Paes, que são aliados dela. Todos são luladependentes, participam do governo federal, do governo estadual. Ela está batendo na porta errada", atacou Chico Alencar, que minimiza a influência das primeiras pesquisas no resultado final da disputa. Eduardo Paes também esteve na mira do candidato, que criticou seus altos gastos de campanha e a rápida mudança da oposição à base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando deixou o PSDB para ingressar no PMDB. Chico Alencar ironizou a efêmera aliança entre o candidato do PT e o governador Sergio Cabral (PMDB). "Molon ficou comovido e emocionado com uma aliança com o Cabral... Aliança que só não se consubstanciou porque ele tomou um 'pezão"', disse ele, referindo-se ao nome do vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão.

REVISÃO DE CONTRATOS Entretanto, o candidato não descartou uma aliança do PSOL com o PT ou o PCdoB no segundo turno.

Caso eleito, Chico Alencar prometeu revisar contratos, concessões e contas da atual prefeitura. Um dos principais alvos pode ser a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que hoje administra sozinha o carnaval carioca.

O candidato classificou a situação como "monopólio do espetáculo" e relembrou casos de votos combinados entre jurados dos desfiles.

Construída pela gestão Cesar Maia, a Cidade da Música -- classificada por vários candidatos em expressões como "elefante branco" e "herança maldita" -- não seria oferecida como concessão à iniciativa privada: "A herança maldita pode ser bendita caso se consiga uma integração com as escolas da região."

As concessões às linhas de ônibus também seriam revistas em seu mandato. Chico Alencar garantiu que abrirá auditorias e, caso sejam encontradas irregularidades, encaminhará processos de criminalização judicial. (Reportagem de Carla Marques)