Reformas em Cuba são necessárias, diz funcionário do governo

sexta-feira, 4 de abril de 2008 10:39 BRT
 

HAVANA (Reuters) - Um funcionário do governo cubano disse na quinta-feira que as mudanças promovidas pelo novo presidente do país, Raúl Castro, eram "necessárias" para acabar com as "excessivas proibições" na ilha, e não devem ser vistas meramente como "cosméticas."

O governo autorizou nas últimas semanas a venda de eletrodomésticos, suspendeu as restrições ao uso de celulares e revogou a regra que proibia cubanos de se hospedarem em hotéis para estrangeiros.

"A cada dia as notícias que nos chegam são alentadoras, e não como dizem nossos inimigos mortais, 'temas cosméticos'. O país assume que o que até ontem não foi conveniente hoje é conveniente e necessário", disse Eusebio Leal, diretor do Escritório do Historiador de Havana.

Cuba também descentralizou a produção rural e anunciou a inauguração de um quinto canal de TV, com conteúdo estrangeiro.

A declaração de Leal é o primeiro comentário oficial sobre as reformas, que são noticiadas de forma discreta na imprensa estatal.

Leal é um dos mais de 400 delegados que participam até sexta-feira de um congresso de intelectuais cuja inauguração, na terça-feira, contou com a presença de Raúl, efetivado em fevereiro no cargo, em substituição a seu irmão, Fidel, doente desde 2006.

"Não me envergonho do que estamos fazendo. Pelo contrário, acho que o que estamos fazendo é o correto. E que isso tem razão", disse Leal, cujo departamento é ligado ao Conselho de Estado, em um pronunciamento divulgado na noite de quinta-feira pela TV local.

O historiador oficial de Havana disse também que não se envergonha dos compatriotas que "estão fora, porque meus filhos estão fora, e jamais deixarei de chamá-los cubanos."

Leal também enviou uma mensagem a Fidel. "De meu coração envio ao convalescente, que não está não porque não quer, mas porque não pode, uma mensagem de gratidão. Preparemo-nos para o novo destino do nosso país", disse o historiador, sob aplausos.