Demanda por plástico verde da BRASKEM é 3 vezes maior que oferta

quarta-feira, 7 de maio de 2008 14:01 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO, 7 de maio (Reuters) - A Braskem BRKM5.SA, maior empresa de resinas petroquímicas da América Latina, define até o final deste mês a localização da planta industrial onde irá produzir, a partir de 2010, 200 mil toneladas de polietileno "verde", feito de fontes renováveis como o etanol.

Antes mesmo de dar início à fábrica, a companhia já detectou demanda três vezes superior ao volume inicial de produção, ou seja, 600 mil toneladas anuais.

Segundo o presidente da companhia, José Carlos Grubisich, "há uma pressão crescente do mundo por produtos de fontes renováveis", mas a companhia não pretende elevar novamente a capacidade programada para essa primeira unidade.

"Esse projeto nasceu com 100 mil toneladas anuais e já foi dobrado. Se formos ampliar ainda mais, corremos o risco de atrasar", explicou ele, em encontro com a imprensa. Como o processo de produção é modular, a companhia poderá, de acordo com Grubisich, agregar outras linhas produtivas a partir desta primeira para atender à demanda.

"Com 200 mil toneladas anuais, já temos uma escala competitiva, sem falar nos benefícios à imagem e o apelo ao meio ambiente", disse.

A companhia tem distribuído amostras a clientes a partir da produção piloto de uma tonelada mensal. "Já vimos que o potencial de vendas é muito maior do que a capacidade que projetamos", salientou o executivo.

Segundo ele, a empresa está analisando colocar a unidade em Triunfo (RS) ou em Camaçari (BA). "Que são os dois locais com condições de receber esse investimento", destacou Grubisich.

Até o final de maio, segundo ele, a companhia terá decidido a localização e, com ela, também o total a ser investido na unidade. "O escopo do projeto e a localização interferem no total do investimento", explicou. Enquanto decide, a Braskem já pediu licença ambiental para as duas regiões.

Segundo Grubisich, a companhia conseguiu, no primeiro trimestre deste ano, produzir buteno a partir de fonte renovável pela primeira vez, o que garante a produção de polietileno de baixa densidade linear. Além disso, destacou ele, a Braskem também conseguiu produzir polietileno a partir do etanol com tecnologia da Ipiranga, "o que amplia as possibilidades", já que também havia conseguido a obtenção do produto com tecnologia própria.

(Reportagem de Taís Fuoco; Edição de Marcelo Teixeira)