13 de Março de 2008 / às 14:13 / 10 anos atrás

Arcebispo sequestrado é encontrado morto no Iraque

MOSUL, Iraque (Reuters) - Paulos Faraj Rahho, o arcebispo da Igreja Católica Caldéia sequestrado no mês passado, foi encontrado morto na quinta-feira. Seu corpo estava enterrado pela metade em um terreno baldio da cidade iraquiana de Mosul (norte), afirmou a polícia.

Rahho, arcebispo de Mosul, localizada 390 quilômetros ao norte de Bagdá, foi sequestrado no dia 29 de fevereiro por homens armados que atacaram o carro dele e mataram seu motorista e dois guardas.

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, responsabilizou a Al Qaeda pela morte do religioso e sublinhou que o governo iraquiano, liderado atualmente por xiitas, está comprometido com a proteção dos cristãos do país -- cerca de 3 por cento de uma população majoritariamente muçulmana.

“Os responsáveis por esse crime horrendo não conseguirão escapar das mãos da Justiça”, afirmou Maliki.

Em uma carta enviada aos líderes da Igreja Católica no Iraque, o papa Bento 16, que tinha feito vários apelos pela libertação do prelado, descreveu a morte de Rahho como “um ato desumano de violência que ofende a dignidade dos seres humanos”.

Os caldeus pertencem a um ramo da Igreja Católica que pratica um antigo ritual do Oriente e formam a maior comunidade cristã do Iraque.

As forças de segurança norte-americanas e iraquianas tinham lançado uma enorme caçada para encontrar Rahho, mas o comandante das Forças Armadas dos Estados Unidos no norte do Iraque, general Mark Hertling, disse à Reuters, no começo deste mês, que não tinha certeza de que poderiam encontrar o arcebispo vivo.

Hertling disse acreditar que os sequestradores levaram Rahho para exigir dinheiro. No entanto, não há notícia de nenhum pedido de resgate.

Segundo a polícia, ainda não se sabe se Rahho, de 65 anos, foi assassinado ou se morreu de outras causas. O corpo do religioso indicava que ele estava morto havia uma semana e não existiam marcas de bala nele, afirmaram policiais presentes no necrotério de Mosul. O arcebispo vestia uma calça preta e uma camisa azul.

O brigadeiro Khalid Abdul Sattar, da polícia de Mosul, disse que o corpo apresentava sinais de decomposição.

Uma outra autoridade policial, que não quis ter sua identidade revelada, afirmou que os moradores da área viram o corpo de Rahho enterrado pela metade em um terreno baldio do bairro de Entisa, localizado na zona leste de Mosul e conhecido por abrigar insurgentes ligados à Al Qaeda.

Esses moradores suspeitaram se tratar de Rahho por causa da barba dele e entraram em contato com a polícia.

O jornal L‘Osservatore Romano, do Vaticano, usou a palavra “assassinado” em sua manchete sobre a morte do arcebispo. E o embaixador da Igreja Católica no Iraque, o também arcebispo Francis Chullikatt, disse ao jornal que Rahho provavelmente foi ferido ao ser sequestrado.

Vários clérigos cristãos foram sequestrados e mortos no Iraque desde a invasão do país liderada pelos EUA em 2003. Também nesse período, muitas igrejas cristãs foram queimadas. Basile Georges Casmoussa, ex-arcebispo de Mosul, foi sequestrado em 2005 mas libertado após ser mantido durante um dia no cativeiro.

Reportagem de Philip Pullella, Phil Steward e Silvia Aloisi, em Roma, e Aseel Kami e Ahmed Rasheed em Bagdá

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