14 de Fevereiro de 2008 / às 19:31 / 10 anos atrás

ESPECIAL-Glencore, a potência silenciosa por trás da Xstrata

Por Daniel Magnowski

LONDRES, 14 de fevereiro (Reuters) - Por trás da Xstrata, empresa listada na Bolsa de Londres que está sendo assediada por mineradoras do mundo inteiro, inclusive a Vale, está uma das maiores empresas mundiais de commodities e dois dos homens mais ousados no mundo dos negócios.

Uma parte estratégica do capital da Xstrata XTA.L --34,6 por cento-- está em poder da Glencore International, que da cidade suíça de Zug controla bilhões de dólares em operações de petróleo, carvão, produtos agrícolas e metais. Seus cofres abrigam quase 15 bilhões de dólares dos seus acionistas.

A Glencore surgiu em 1974 como uma trading de commodities, pelas mãos do bilionário misterioso Marc Rich, que a vendeu em 1994.

Seus atuais controladores, o presidente Willy Strothotte e o executivo-chefe Ivan Glasenberg, não são tão famosos, mas provavelmente tão bem-sucedidos quanto seu antecessor.

A estratégia deles tem sido a de assumir participação em minas e unidades produtivas e a de vender os produtos. Isso deu especialmente certo nos últimos cinco anos, com a elevação nas cotações mundiais do cobre, do carvão, do petróleo e dos grãos.

Como pode ter balanços menos minuciosos do que de empresas com capital aberto, a Glencore se caracteriza pelo sigilo. Nem Strothotte nem Glasenberg aceitaram ser entrevistados pela Reuters, e empregados da Glencore se recusam a comentar a possível aquisição por parte da brasileira Vale (VALE5.SA), do Banco de Desenvolvimento da China ou de outros interessados.

Mas um executivo do setor, com larga experiência nos mercados em que a Glencore opera, disse que a empresa poderia eventualmente trocar o controle da Xstrata por uma participação reduzida numa empresa maior, mas que não deixaria o mercado de commodities.

"A Glencore não tem intenção de vender sua participação na Xstrata por dinheiro", disse o executivo, sob anonimato.

Caso assuma uma participação acionária na empresa resultante da fusão, a Glencore deve insistir em manter os direitos sobre a comercialização de parte ou a totalidade dos produtos da empresa resultante, o que na verdade poderia mesmo levar a um aumento na quantidade de metal controlado pela Glencore.

Ao longo dos anos, a Glencore construiu uma rede de operadores e agentes em 54 países onde as matérias-primas são produzidas ou consumidas.

Ter olhos e ouvidos nas minas, fábricas e portos permitiu que a Glencore se mantivesse a par das mínimas mudanças nas condições de oferta e demanda. Com essas informações, ela consegue rapidamente vender ou comprar segundo o que o mercado deseja.

Muitos chamam a Glencore de oportunista, e seus agentes são recompensados quando detectam oportunidades de investimentos antes dos concorrentes. Ela também toma decisões mais rapidamente que as empresas de capital aberto.

Strothotte, Glasenberg e outros da Glencore são vistos por alguns como os responsáveis pela política agressiva de aquisições da Xstrata desde o início desta década. A subsidiária tem negócios em 18 países, nas áreas de cobre, carvão, ferro-cromo, níquel, vanádio e zinco.

Seja qual for o resultado do interesse sobre a Xstrata, os mercados de commodities estarão atentos àquilo que a Glencore faz. "Você compra metal quando a Glencore, que costuma ser a mais compradora de todas, está comprando metal", disse Robin Bhar, analista de commodities do banco de investimentos UBS. "Nove em cada dez vezes eles acertam."

Reportagem de Daniel Magnowski

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