Chefe de polícia de Londres resiste a pressão e se recusa a sair

quarta-feira, 7 de novembro de 2007 13:43 BRST
 

Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) - O chefe da polícia londrina, Ian Blair, reafirmou na quarta-feira que vai continuar no cargo, apesar das pressões por sua demissão pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um homem-bomba em julho de 2005.

Numa reunião da Assembléia de Londres, o comissário da Polícia Metropolitana insistiu que conta com o apoio dos moradores da capital e de seus próprios oficiais.

A Assembléia, que é formada por políticos locais, aprovou no entanto uma medida pedindo que Blair "analise sua posição e renuncie", embora não tenha poderes para tirá-lo do cargo.

"Só quero continuar fazendo meu trabalho e é isso que vou fazer", disse Blair à Assembléia, afirmando que parte da pressão por sua demissão vem de "outras forças." "Já declarei minha posição", afirmou. "Se vocês tiverem o poder de me derrubar, vão em frente."

O papel de Blair no incidente foi se transformando cada vez mais numa questão política. Conservadores e liberal-democratas pressionam por sua queda, mas o primeiro-ministro Gordon Brown, trabalhista, o apóia incondicionalmente.

As divergências políticas ficaram claras no interrogatório quase hostil de que Blair foi alvo por parte de membros conservadores da Assembléia. Eles lhe perguntaram se a posição dele é sustentável mesmo depois da condenação da força policial no caso.

O eletricista brasileiro de 27 anos recebeu sete tiros na cabeça ao embarcar num trem do metrô no sul de Londres, no dia 22 de julho de 2005, um dia depois de um frustrado ataque a bomba contra o sistema de transporte londrino, que imitava a ação que matara 52 pessoas duas semanas antes.

A polícia londrina foi condenada a pagar uma multa de 175 mil libras por colocar o público em perigo quando atirou, além de ter de pagar custas processuais no valor de 385 mil libras, veredicto do qual, segundo Blair, a polícia não vai recorrer.

Blair admitiu que já cometeu erros, mas disse que seria "absolutamente irresponsável" de sua parte renunciar por causa do episódio, pois isso deixaria seu sucessor numa situação impraticável. "Se um comissário for forçado a deixar o cargo pela pressão da mídia ou da política, na vez seguinte será ainda mais fácil", disse ele.

Na quinta-feira será publicado um esperado relatório sobre a morte do brasileiro elaborado pela Comissão de Queixas contra a Polícia, o que deve colocar Blair de novo na berlinda. É quase certo que ele seja submetido a uma moção de desconfiança pela Autoridade da Polícia Metropolitana, que supervisiona a força londrina. "Espero e não creio que a maioria dos membros da Autoridade queira que isso aconteça", disse Blair.