PETROBRAS terá carga extra de GNL para terminal do RJ

terça-feira, 5 de agosto de 2008 16:28 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 5 de agosto (Reuters) - Preocupada com o aumento da demanda por gás natural no final do ano, a Petrobras preparou um plano B para ativar o terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) que está sendo construído na baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, e cuja carga do combustível só deve chegar em maio de 2009.

Para suprir o espaço entre dezembro e maio, segundo o gerente de planejamento integrado de portfólio da área de gás e energia da Petrobras, Marcelo de Sousa Murta, a estatal está encomendando uma carga extra de GNL para dezembro. A origem e o valor da carga no entanto são segredo de Estado, ressaltou o executivo.

"Está muito difícil conseguir GNL a nível razoável (de preços) e por isso essas informações têm que ficar sob sigilo", disse Murta a jornalistas durante o Energy Summit 2008.

A estatal havia programado desviar para o Rio de Janeiro o navio que está fazendo testes no terminal de GNL do Ceará, no porto de Pecém, que começa a operar no dia 20 de agosto com capacidade para regaseificar 7 milhões de metros cúbicos diários de GNL. A necessidade de atender térmicas no Nordeste, entretanto, frustou o projeto de usar a mesma unidade.

"Temos certeza que vão despachar no segundo semestre as nossas usinas no Nordeste e não vamos poder usar o navio que está em Pecém para o comicionamento na baía da Guanabara", explicou Murta, referindo-se às usinas Termofortaleza, Termoceará e Térmica Jesus Suarez Pereira.

O terminal da baía da Guanbara terá capacidade para 20 milhões de metros cúbicos diários de GNL e deve ser inaugurado em outubro, quando será feito o comicionamento para que a unidade opere comercialmente a partir de dezembro.

A Petrobras tem um termo de compromisso com a agência reguladora do setor elétrico, Aneel, de despachar uma certa quantidade de gás natural para termelétricas. No ano passado, a empresa teve dificuldade para cumprir o termo de compromisso e chegou a cortar gás de distribuidoras como a Comgás (SP) e Ceg (RJ) para atingir a meta da Aneel.

Ele informou que com as térmicas e distribuidoras locais a Petrobras já tem garantidos contratos para fornecer 5 milhões de metros cúbicos diários pelo terminal de Pecém, e que os 2 milhões restantes dependem do resultado do leilão de empreendimentos novos de energia para entrega em 2011 (A-3), previsto para 19 de agosto.

Dos leilões de energia também dependerá a decisão para construção de um terceiro terminal de GNL no país, já que determinará o volume de projetos que serão iniciados e a correspondente demanda de gás natural.

(Por Denise Luna; edição de Fabio Murakawa)